Assaltos
Grupo criminoso que atuava no Sul de SC é preso pela polícia; em um dos crimes uma vítima foi morta
Roubos, latrocínio e latrocínio tentado estão na lista de crimes dos cinco presos
5 min de leitura

A Polícia Civil desarticulou um grupo criminoso que praticou crimes de latrocínio, latrocínio tentado e roubos qualificados na região da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec). Os fatos aconteceram nas cidades de Criciúma, Içara e Morro da Fumaça. Em um dos casos, uma vítima, identificada como Clayton Moreira da Silva, de 33 anos, foi atingida por um disparo de arma de fogo e morreu ao tentar fugir dos assaltantes que tentavam roubar seu carro.
Ao todo, cinco pessoas foram presas durante a operação. Quatro homens, de 22, 23, 28 e 30 anos, e uma mulher, de 35 anos, esposa de um dos suspeitos. Conforme informou o Delegado Yuri Miqueluzzi, coordenador da DRR/DIC, o grupo já vinha sido investigado durante o mês de abril como acusados de cometer dois assaltos em Criciúma.
Um dos roubos aconteceu no bairro Jardim Maristela, quando uma família foi rendida na frente da própria casa e os criminosos invadiram a residência, fugindo com dois automóveis, dinheiro e pertences das vítimas. O segundo caso ocorreu no bairro Nossa Senhora da Salete, quando assaltantes renderam uma mulher com seu filho de seis anos e fugiram levando também um carro. Eles ainda ameaçaram, por diversas vezes, matar a criança.
Leia também:
Homem morre após ser baleado durante tentativa de roubo em Morro da Fumaça
“O grupo possui núcleo em Criciúma e costumava sempre realizar roubos com violência, portando armas, com concurso de pessoas e, às vezes, até corrupção de menores. Eles possuem histórico policial e extensos processos criminais”, ressaltou o Miqueluzzi.
Dois crimes no mesmo dia
Dias depois, as investigações apontaram que o mesmo grupo teria cometido outros dois crimes, desta vez nas cidades de Içara e Morro da Fumaça, no dia 26 de abril de 2021. O primeiro foi em Içara, uma tentativa de latrocínio. Na BR-101, eles tentaram roubar o carro de uma família do Rio Grande do Sul e efetuaram um disparo de arma de fogo. O projétil ficou alojado na coluna do veículo e as vítimas conseguiram fugir até Araranguá, onde pararam na Unidade Operacional da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Como não conseguiram efetuar o crime, eles se dirigiram até Morro da Fumaça e abordaram Clayton Moreira da Silva, na área central do município. A vítima saia para trabalhar quando foi abordada por três homens armados. Silva acelerou o seu carro e foi atingido por um disparo de arma de fogo (vídeo abaixo), que entrou pelo braço esquerdo e atingiu o coração da vítima. O trio fugiu e um deles foi preso em flagrante na mesma noite.
Ligação entre os roubos e latrocínio
A Polícia Civil conseguiu identificar os suspeitos por meio do veículo utilizado nos crimes. No bairro Nossa Senhora da Salete, em Criciúma, eles utilizaram um Renault Clio branco. O mesmo carro foi usado no latrocínio ocorrido em Morro da Fumaça.
“No dia do latrocínio uma mulher acionou a polícia dizendo ter sido sequestrada. Ela afirmou que estava indo em uma lanchonete e foi abordada e colocada dentro de um Renault Clio por volta das 19 horas, sendo liberada somente às 21 horas. Só que durante o depoimento notamos algumas informações desencontradas. Fomos até o local onde ela teria sido sequestrada e confirmamos que o crime não havia ocorrido. Ela era a proprietária do Clio e estava mentindo para tentar acobertar o crime”, afirmou o delegado da comarca de Urussanga, Ulisses Gabriel.
Os policiais civis foram até à residência da mulher no bairro Jardim União, em Criciúma, e encontraram seus pertences e também seu marido, que era suspeito de participar do latrocínio instantes antes em Morro da Fumaça. O homem contou onde estava o veículo, afirmando também onde dispensou seu telefone celular.

Outros dois presos em Criciúma
Nessa terça-feira, dia 4, em continuidade a investigação, a Polícia Civil, com apoio do Serviço Aeropolicial (Saer) e da Polícia Militar (PM), deflagrou uma operação no bairro Renascer, em Criciúma, e conseguiu prender outros dois homens em um bar. Eles são os suspeitos de conseguir fugir no dia do latrocínio de Clayton Moreira da Silva. Um terceiro suspeito também foi detido. Ele é acusado de praticar tráfico de drogas e fornecer armas para o grupo criminoso.
A operação contou com mais de 50 policiais e resultou com apreensão de drogas, dinheiro e celulares. Um sexto suspeito segue sendo investigado. “Ressaltamos que a Polícia Civil na região da Amrec não vai medir esforços para elucidar esses crimes violentos. Se for preciso, paramos todas as delegacias para encontrar os culpados e levantar provas que os deixem presos o máximo de tempo possível. Porque um dos presos eu já tinha detido ele 13 anos atrás e ele continuou solto. Eles invadem residências de famílias, matam pessoas que estavam indo trabalhar. Isso é inaceitável”, enalteceu o também delegado de Urussanga, Márcio Campos Neves.
As investigações envolveram equipes da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Criciúma, por meio da Divisão de Repressão a Roubos (DRR/DIC), e da Delegacia de Polícia Civil de Urussanga, que compreende também os municípios de Morro da Fumaça e Cocal do Sul, além do Instituto Geral de Perícias (IGP), Polícia Militar (PM) Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e Poder Judiciário do Estado.



