Saúde

Hanseníase: doença que causa manchas no corpo tem mês de conscientização em Janeiro

Janeiro Roxo

Enfermidade tem cura e tratamento é oferecido pelo SUS

Por Emanuela Teixeira21 de janeiro de 2026 3 min de leitura
Freepik/Ilustração

A Hanseníase é uma doença infecciosa crônica que provoca manchas no corpo e tem como mês de conscientização o Janeiro Roxo. Apesar de poder atingir níveis prejudiciais para o portador, ela tem cura e o tratamento é oferecido pelo SUS.

Conforme a dermatologista, Ana Carolina Burigo Lima, a enfermidade é causada pela bactéria Mycobacterium leprae e afeta principalmente a pele, os nervos periféricos, a mucosa das vias respiratórias superiores e os olhos.

“A doença possui sintomas cutâneos como manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas na pele, alteração ou perda da sensibilidade nessas manchas. Também apresenta pele seca, com queda de pelos e sem suor. Além disso, tem os sintomas neurológicos como diminuição ou perda de sensibilidade ao calor, dor e tato, formigamento, agulhadas ou sensação de choque e o engrossamento doloroso de nervos”, detalhou a especialista.

Durante sua carreira, a dermatologista atendeu aproximadamente 15 casos da doença, principalmente em uma residência em São Paulo. Em 2025 ela não atendeu nenhum caso.

Conforme a gerente da vigilância sanitária de Criciúma, Katiane Figueiredo, em 2025 no município de Criciúma foram registrados dois casos da doença, que seguem em acompanhamento no Programa de Tuberculose e Hanseníase. “Além disso, temos alguns usuários que já realizaram tratamento em anos anteriores, mas que tem reações ‘hansenicas’ ao longo da vida e que mantém o acompanhamento no programa também”, detalhou.

A doença em si, causa raramente a morte direta, o que pode dificultar são as complicações decorrentes dos sintomas. “O principal risco está nas complicações e nas incapacidades físicas que podem surgir. Se a doença não for diagnosticada e tratada precocemente, pode gerar infecções secundárias graves”, pontuou. O tratamento adequado é com poliquimioterapia, que é uma combinação de antibióticos. “Ela cura a doença e impede que a pessoa transmita para outras pessoas depois de iniciar o tratamento", completou.

Quebrando o estigma

Para prevenir a doença, o diagnóstico precoce é essencial, interrompendo a transmissão. “O tratamento imediato, também é de suma importância, impedindo a contágio da doença. Acompanhar os contatos próximos, pessoas que convivem por longo tempo com indivíduos doentes e examiná-los periodicamente é necessário. A vacina BCG pode oferecer alguma proteção e é recomendada para contatos de casos confirmados.”, frisou a dermatologista.

A hanseníase era conhecida por muito tempo como “Lepra”, mas não é mais designada por esse nome, por conta do preconceito ao redor da palavra. “Ela era conhecida assim, mas hoje em dia abandonou-se esse termo por ter um estigma social importante. O qual leva a exclusão social, isolamento do paciente e ideias de impureza e castigo divino. É importante ressaltar que na bíblia quando falamos de Lepra, lembramos da Hanseníase, mas historicamente eles usavam esse termo para doenças em geral na pele, incluindo possivelmente a Psoríase”, orientou.

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