Protesto
Hospital Santa Catarina: por uma administração 100% pública
A manhã deste sábado foi de denúncia na Praça Nereu Ramos, em Criciúma
Por Redação Engeplus
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A manhã deste sábado foi de denúncia na Praça Nereu Ramos, em Criciúma. O Conselho Municipal de Saúde e demais entidades sociais e sindicais promoveram, das 8 horas ao meio-dia, um abaixo-assinado com o objetivo de denunciar as irregularidades da saúde pública do município. Entre a maior denúncia está a manutenção do Hospital Materno-Infantil Santa Catarina (HMISC) 100% pública. “Também estamos ressaltando as condições do pronto-socorro do Hospital São José e a indefinição da Casa de Saúde do Rio Maina. Aproveitamos e montamos um telão para mostrar os investimentos na saúde em outras cidades. Enquanto municípios ganham melhorias, Criciúma é esquecida”, frisa o coordenador do Fórum Regional do Sul da Saúde do Trabalhador, Júlio Zavadil.
Além das assinaturas, a população também podia fazer denúncias sobre a saúde pública da cidade. Todo material será levado ao Conselho Municipal de Saúde, ao Ministério Público, a secretaria de Saúde e ao Estado. De acordo com Zavadil, há uma sinalização para que o Estado passe a administração do Hospital Materno-Infantil Santa Catarina para uma Organização Social (OS), o que seria um péssimo negócio.
“Um hospital público deve ser administrado pelo poder público. Com uma empresa terceirizada é mais fácil haver desvios de verbas, por exemplo. A prefeitura, através da secretaria de Saúde afirmou ter condições de assumir a gestão do hospital. O riscos de fraudes com a prefeitura na administração é muito menor, pois envolve vários órgãos”, explica Zavadil.
De acordo com o integrante da comissão criada pelo Legislativo para discutir os entraves do Hospital Materno-Infantil Santa Catarina, o vereador Dr. Mello, o Hospital São José realizou um cálculo mensal para o custeio da instituição. São necessários R$ 2,4 milhões para manter o hospital. Deste valor, o Governo do Estado destinaria R$ 1,850 milhão para o custeio do hospital. Já a Prefeitura de Criciúma destinaria R$ 700 mil. “Portanto, há o recurso para o custeio e não precisa que uma empresa terceirizada assuma”, frisa o vereador.
Ainda conforme Mello, nos próximos dias, uma carta será entregue ao governador do Estado, Raimundo Colombo, para que o custeio do Hospital Santa Catarina seja definido. A carta será enviada em nome dos prefeitos da Associação do Municípios da Região Carbonífera (Amrec). Essa decisão foi tomada em uma reunião na Amrec, que contou com a presença de prefeitos e secretários de saúde.
Atualmente, o Hospital Santa Catarina presta os serviços de pronto-atendimento infantil, internação pediátrica e UTI infantil e neonatal. No entanto, a internação para gestantes e o centro cirúrgico não estão em funcionamento. As obras para a conclusão total do hospital se arrastam por 17 anos.
No início de maio, o Hospital São José informou a suspensão dos serviços a gestantes e recém-nascidos nos setores de obstetrícia e pediatria. Porém, essa suspensão foi cancelada e ficou definido que os trabalhos continuariam por mais 90 dias, prazo estipulado para a abertura da ala no Hospital Materno-Infantil Santa Catarina. Mas, segundo Mello, as obras não serão concluídas no tempo previsto. “Há locais onde as obras ainda nem começaram pela falta projeto”, destaca.
Por volta das 11 horas haviam sido recolhidas, em média, 600 assinaturas. O pedreiro João Paulo Teixeira foi dos que assinaram o abaixo-assinado. “Já precisei utilizar os serviços do Hospital Santa Catarina por causa dos meus netos e percebemos uma boa vontade dos profissionais em atender a população, mas também percebemos a incapacidade de atendimento para todos os pacientes”, comenta.



