Impasse sobre piso salarial leva professores da Afasc à assembleia; greve é cogitada
Imbróglio
Sindicato e instituição estão em negociação

Professores e auxiliares que atuam na Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc) estarão reunidos na próxima segunda-feira, dia 27, a partir das 18h30, para debater o reajuste salarial e uma possível greve da categoria.
“A assembleia foi chamada porque todos os anos realizamos encaminhamentos para um acordo sobre o reajuste salarial. Porém, quando chegamos às cláusulas sociais, fechamos. Entretanto, na questão econômica, a Afasc apresentou, num primeiro momento, uma proposta de 3,3%, corrigindo o salário, sem ganho real. Hoje, fomos chamados novamente, continuamos as negociações e apresentaram mais 2%”, explicou José Argente Filho, atual presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino da Região Sul de Santa Catarina (STEERSESC), em entrevista ao Portal Engeplus.
Conforme Filho, há um impasse nas negociações, porque o governo federal estabeleceu, em janeiro deste ano, o piso nacional do magistério no valor de R$ 5.130,63 para uma jornada de 40 horas semanais, o que não é pago aos professores da Afasc. “A Afasc é uma instituição particular, as negociações são diferentes. Porém, tem algo específico: é mantida pela Prefeitura de Criciúma com verba pública, incluindo recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Há uma corrente de entendimento de que a prefeitura é obrigada a repassar o piso nacional, mas entendemos que é difícil. Vamos levar a proposta da Afasc para a categoria na segunda-feira, e os encaminhamentos serão definidos pelos trabalhadores”, detalhou.
O que a Afasc ofereceu?
Atualmente, os professores da Afasc recebem R$ 3.133,62 por 40 horas semanais. A instituição ofereceu, ao todo, 5,36%, ou seja, o salário passaria para R$ 3.301,58. “O piso do magistério é referência para o ensino público de todo o país. Mas a Afasc é única nesse gênero: possui um CNPJ, foi criada pela prefeitura e mantém serviços para o governo municipal, o que torna difícil atender ao piso”, comentou. “Tenho a impressão de que tudo isso será definido na Justiça. Já a greve será decidida pela categoria, mas há chances, sim, de paralisação”, completou.
Conforme o presidente, atualmente a Afasc conta com aproximadamente 850 professores para 7 mil alunos. “É importante ressaltar que a Afasc é um braço da prefeitura. Ela está enquadrada no plano municipal de educação de Criciúma, mas é privada. A lei permite essa condição, e é justamente aí que está a questão sobre os pagamentos”, pontuou.
A reportagem do Portal Engeplus procurou a assessoria de imprensa da Afasc, que informou que a instituição não irá se pronunciar sobre as negociações.



