Saúde

Inchaço e manchas: entenda a doença que afeta mulheres e pode causar dor e sensação de peso nas pernas

Lipedema

Condição é progressiva e não tem cura, mas tem tratamento

Por Emanuela Teixeira22 de janeiro de 2026 4 min de leitura
Divulgação/Ilustração

O Lipedema é uma doença crônica progressiva, que afeta principalmente as mulheres. A condição provoca dor e inchaço, principalmente na área das pernas, coxas e nos quadris. Apesar de não ter cura, ela possui tratamento e se mantida sobre controle, a mulher pode viver de forma naturalmente.

A condição tem origem genética e provoca acúmulo desproporcional de gordura, principalmente membros inferiores. Conforme a Endocrinologista, Brenda dos Santos Mendonça, o principal sintoma, que levam as mulheres procurarem um médico, é o inchaço.

“Os sintomas que mais acontecem é a dor, inchaço e a sensação de peso. Às vezes elas não sabem falar que é dor, porque conviveram com isso a vida inteira. Mas, por exemplo, a mulher saiu e colocou uma roupa ou a meia que ao fim do dia fica marcando. Essas mulheres também podem ficar com “roxinhos” ou marcas nos membros inferiores”, detalhou a especialista.

As mulheres diagnosticadas com o lipedema, nascem com alteração de receptores do estradiol, que é o hormônio estrogênio, essencial para o desenvolvimento feminino. Além disso, a doença também é genérica, contando com 60% da genética.

Durante a vida, existem fases em que as mulheres ficam mais suscetíveis a desenvolver os sintomas mais fortes da condição. “Tem algumas fases da mulher mais, que elas tendem a desenvolver mais a doença. Na primeira menstruação, as gestações ou a transição para a menopausa. E por que esses marcos? Porque são fases da vida que tem oscilações hormonais”, frisou.

Vivendo com a doença

Segundo a profissional, mesmo tendo a doenças durante toda a vida, é possível viver de forma natural. O tratamento normalmente inicia com uma espécie de desinflamação. “Como é uma doença inflamatória, uma doença crônica, a gente tem que desinflamar essa mulher. Então vamos fazer uma avaliação dessa mulher de maneira metabólica, da parte hormonal, porque mulheres também com lipedema tem uma porcentagem aumentada de chance de ter hipotiroidismo. A partir disso é tratado um plano terapêutico clínico”, destacou.

Com o uso dos medicamentos corretos, muitas mulheres passam a vida inteira sem sintomas excessivos da doença. “Esses ativos que temos hoje, melhoram a causa base da doença. Reduzindo aquele estradiol tóxico, que em excesso, fica preso na gordura. Então a gente direciona o tratamento dessa maneira para melhorar o quadro clínico dessas pacientes”, ressaltou.

Sensação de aumento

O Lipedema é uma condição considerada subdiagnosticada, ou seja, que é identificada com menos frequência do que realmente ocorre na população. Segundo Brenda, esse número vem melhorando. “Hoje, com o avanço dos estudos, tem aumentado a prevalência devido ao maior diagnóstico dela. No Brasil, a prevalência está em cerca de 12%. E assim, acha-se ainda que é um diagnóstico baixo, uma prevalência baixa que tende a aumentar ao longo dos anos. Muitas mulheres passaram na mão de profissionais que não conseguiram dar esse diagnóstico para elas. Por isso, tem crescido cada vez mais”, contou.

A doença pode chegar ao estágio zero, como um tipo de remissão. “Ela existe, mas ela está silenciosa no corpo da paciente, porque ela está em tratamento. Então, dessa maneira, ela consegue ter uma vida normal”, relatou.

Exercícios frísicos como um auxílio

Segundo a especialista, os exercícios físicos devem ser feitos e ajudam muito, mas dependendo do caso, precisam de monitoramento contínuo. “Se é uma paciente que está muito inflamada, precisa tomar cuidado e sempre orientar para não fazer exercícios de impacto. Porque isso vai gerar mais dor, mais inchaço e desconforto”, apontou.

As atividades aquáticas são as mais bem-vendas nessa fase. “Eles melhoram o inchaço e a dor. Já as pacientes com estágio mais avançado de lipedema, podem possuir deformidades e isso vai barrar, vai ser um impedimento para ela fazer algum tipo de exercício”, completou.

“Para as mulheres que possuem lipedema, a gente hoje tem tratamento clínico com excelentes resultados. Muitas pensam que é só com cirurgia, mas se elas fizerem cirurgia, sem fizer um tratamento clínico, tudo aquilo vai voltar. A cirurgia pode ser uma opção, mas não é o único tratamento. A maioria das pacientes não faz cirurgia, então para que elas busquem ajuda, que tem tratamento, dá para a gente viver com o lipedema em remissão e ter qualidade de vida”, finalizou Brenda.


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