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Amor

José e Ieda: seis décadas de união e companheirismo

Casal possui um filho e está junto há 60 anos

Por Rafaela Custódio

5 min de leitura

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Foto: Rafaela Custódio

José e Ieda são casados há 60 anos, possuem um filho, Josué, e já têm quatro netos. A história do casal começou em 1956, em Urussanga. Atualmente, eles moram no bairro Santo Antônio, em Criciúma.

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José tem 85 anos e Ieda vai completar 80 no dia 14 de julho. A história da dupla iniciou com José buscando uma mulher para casar, já que ele morava em Porto Alegre e era noivo. Naquele momento ele achou que sua noiva não era a mulher certa para ele construir sua história. Com isso, ele veio embora para Santa Catarina morar com seus tios Horácio e Apolônia.

“Vim morar em Santa Catarina em busca de uma mulher para casar. Mas comecei a trabalhar com meu tio nos Correios nas regiões de Esplanada e Urussanga e entregava as correspondências pela estrada de ferro Dona Tereza Cristina, por meio do trem”, lembrou.

José contou que trabalhava no lugar de funcionários que entravam em férias. Mas quando o trem chegava, ficava o dia todo parado aguardando outro trem chegar. Nesse período de espera, José resolveu ir apanhar laranjas em um terreno próximo à estação.

“Estava indo apanhar laranja, quando vi uma família colhendo mandioca. Fui até eles e ajudei na colheita. Puxei conversa com o seu Pedro, no caso, pai da Ieda. Naquela conversa, ele me contou que tinha uma filha e eu já fiquei em alerta”, relembrou.

Após ajudar na colheita, José voltou para a estação e foi embora. Ao chegar em casa, contou para os tios sobre a família que havia conhecido. Depois de 15 dias que tinha ajudado na colheita, José voltou a visitar seu Pedro e a família. Foi quando Ieda pela primeira vez.

“Ela estava colhendo mandioca. Conversei com ela e, de imediato, soube que ela era a mulher para eu casar. Perguntei se ela queria namorar comigo e ali iniciamos uma amizade, um companheirismo e tudo que um casal deve ter”, comentou.

Depois de conversarem e se conhecerem melhor, José pediu para os pais de Ieda a mão dela em namoro. “Naquela época tudo era diferente. Ele conversou direitinho com meus pais e eles aceitaram a gente namorar”, explicou Ieda.

Assim que pediu a mão de Ieda em namoro, José voltou para Porto Alegre e ficou três meses longe da amada, mas quando voltou trouxe uma aliança e pediu ela em casamento. “Voltei decidido a casar com ela e construir uma vida ao lado dela. E aqui estamos hoje”, declarou.

Casamento

A dupla casou em 5 de setembro de 1957 e, desde então, não se separou mais. “Nos dias próximos ao nosso casamento choveu muito e estava tudo alagado. Fomos de trollo, que era o único meio de locomoção. Fomos pela estrada de ferro. Casamos no cartório e voltamos embora”, contou Ieda.
Assim que casaram, a dupla foi embora para Porto Alegre, mas após algum tempo voltaram para Santa Catarina. O casal já morou em Araranguá, Florianópolis, Criciúma, entre outras cidades.

“Quando casamos, nós não tínhamos nada, nada mesmo. Construímos tudo juntos. Trabalhando e comprando nossas coisas com o nosso orçamento. Tudo foi com muito suor, por isso valorizamos tanto”, afirmou José.

“Nossa primeira geladeira nós tivemos depois de seis anos de casados. Nosso primeiro fogão foi à lenha. Tudo com muito trabalho”, ressaltou Ieda.

Filho – Josué

Atualmente, o único filho do casal está com 51 anos. “Criamos ele com muito amor, dedicação e dentro da educação que tínhamos. Nunca nos incomodou e hoje ele nos ajuda”, contou Ieda.

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José comentou que o casal teve outro filho, mas morreu depois de 24 horas. “Ele nasceu de oito meses e não sobreviveu. Mas, graças a Deus, tivemos o Josué que hoje nos ajuda e está sempre conosco”, afirmou.

Amor
Ao serem questionados sobre o que é o amor, José deu um breve sorriso ao olhar Ieda e ressaltou que o amor é a base de um relacionamento.

“É o principal sentimento de um casal. Somos um só, assim como Deus nos disse que seríamos. Relacionamento é de duas pessoas que vivem uma vida só”, comentou José.

“É preciso ter união, é preciso saber que nem tudo é um mar de rosas, mas que viver um casamento é bom, é ter alguém ao seu lado”, considerou Ieda.

José entende que as dificuldades sempre vão aparecer. “Todo casal passa por lutas, isso é comum, mas não se pode desistir na primeira barreira. É preciso seguir um lado do outro”, ressaltou José.

“Quando se sente amor, tudo é diferente, tudo. O casamento é preciso ser programado”, avisou José.

Atividades

A principal atividade do casal atualmente é ir à igreja e pescar na plataforma norte do Balneário Rincão. “Vamos três vezes por semana. Pego o carro e vamos nós dois. Às vezes passamos o dia inteiro lá na plataforma. Por nós íamos todos os dias”, contou José.

Ieda revelou que o casal pesca, mas doa os peixes. “A maioria que pegamos, nós doamos para pessoas carentes. Não precisamos ficar com tudo. Quanto mais doamos, mais recebemos”, expressou.

“Não doamos só os peixes. Quando temos bananas, laranjas, ovos e tudo que podemos doar, se temos mais que os outros podemos doar sim”, confessou José.

Futuro

“Esperamos terminar a vida um ao lado do outro, assim como foi a nossa vida inteira. Sempre estivemos juntos e não será diferente daqui para frente”, revelou José.

“Seremos nós dois sempre. Vamos continuar unidos”, finalizou Ieda

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