Julho registra mais de 380 pinguins-de-Magalhães mortos em praias do Sul de SC; veja fotos
Período de migração
Dados são do Trecho 1 do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos

Somente no mês de julho, mais de 380 pinguins-de-Magalhães foram encontrados mortos em praias do Sul de Santa Catarina. As ocorrências foram registradas nas praias monitoradas entre os Molhes da Barra, em Laguna, e a Praia da Luz, em Imbituba. Os dados são do Trecho 1 do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).
Conforme informações do Laboratório de Zoologia da Udesc, o mês de julho é considerado o período de maior intensidade da migração da espécie pela costa brasileira. Neste mês, foram registradas 404 ocorrências, das quais 389 animais foram encontrados mortos e 15 foram resgatados com vida. Em Laguna, foram contabilizados 167 pinguins (160 mortos e sete vivos), enquanto Imbituba registrou 267 ocorrências (229 mortos e oito vivos).
“As praias com maior número de registros de julho foram Itapirubá Norte e Praia da Vila, com 134 ocorrências, seguidas por Praia do Sol e Itapirubá Sul (92), Praia da Ribanceira e Ibiraquera (49), Praia do Mar Grosso (39), Praia do Gi (36), Praia do Porto (35), Praia da Luz (13) e Barra da Ibiraquera (6). Embora os números chamem a atenção, esse cenário é esperado durante a presente época do ano”, informou o órgão ambiental.

Números não representam preocupação
Segundo a assistente técnica do Trecho 1 do PMP-BS, Samira Effting, a quantidade de registros observada ao longo do mês de julho acompanha o comportamento esperado da espécie. Com isso, não representa um cenário de preocupação. Desde o início da temporada de 2026, foram registradas 695 ocorrências entre Laguna e Imbituba. Desse total, 652 foram encontrados mortos e 43 foram resgatados vivos, recebendo atendimento médico veterinário especializado.
“O mês de julho é tradicionalmente um dos meses com maior ocorrência de pinguins-de-Magalhães no litoral catarinense. Apesar do número expressivo de registros, essa mortalidade faz parte da dinâmica natural de uma população composta por mais de um milhão de pares reprodutivos. O monitoramento é essencial para acompanhar esse processo e identificar possíveis alterações relacionadas a impactos ambientais ou ações de origem antrópica”, ressaltou.
O Laboratório de Zoologia explicou que os pinguins-de-Magalhães se reproduzem em colônias localizadas principalmente na Argentina, Chile e Ilhas Malvinas. Após o período reprodutivo, milhares de indivíduos iniciam uma extensa migração em busca de alimento, percorrendo a costa da América do Sul e alcançando o litoral brasileiro entre os meses de inverno. O órgão ambiental estimou que a espécie possui cerca de 1,3 milhão de pares reprodutivos, distribuídos em dezenas de colônias na Patagônia.
“Durante esta longa viagem, especialmente os indivíduos jovens que realizam sua primeira migração, enfrentam desafios como escassez de alimento, tempestades, correntes marítimas intensas e o grande desgaste energético provocado pelo deslocamento. Como consequência, parte desses animais não conseguem completar a jornada e acabam chegando debilitados ou sem vida às praias. Quando um pinguim é encontrado vivo, as equipes realizam o resgate e o encaminhamento à Unidade de Estabilização de Fauna Marinha da Udesc”, frisou o órgão.
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Síndrome do Pinguim Encalhado
Adriana Silva Albuquerque, médica-veterinária, explicou que a maior parte dos animais resgatados apresentam a Síndrome do Pinguim Encalhado, um conjunto de alterações clínicas frequentemente observado durante a imigração. Os fatores podem ser desnutrição, desidratação, hipotermia e exaustão. Também é comum serem observadas alterações respiratórias e parasitoses, que estão entre as principais causas de mortalidade nesses animais.
“O atendimento pode incluir aquecimento, hidratação, alimentação assistida, exames laboratoriais e tratamentos específicos. Somente após recuperar o peso corporal, a condição física e a impermeabilização da plumagem, os pinguins considerados aptos são devolvidos ao ambiente natural, em locais e condições adequadas para poderem retomar a migração”, pontuou a médica-veterinária.
Já os animais encontrados mortos também desempenham importante papel para a pesquisa científica. De acordo com informações do Laboratório de Zoologia, sempre que as condições da carcaça permitem, são realizadas necropsias e coletas de amostras biológicas, contribuindo para o monitoramento da saúde da fauna marinha e para a identificação das principais causas de mortalidade da espécie no litoral brasileiro.

Viu um pinguim na praia?
Ao encontrar um pinguim na praia, vivo ou morto, a orientação é não tocar no animal nem tentar devolvê-lo ao mar. Um pinguim aparentemente saudável pode estar extremamente debilitado e necessitar de atendimento veterinário. Também é importante manter distância, evitar aglomerações, impedir a aproximação de animais domésticos e acionar imediatamente a equipe do PMP-BS pelo telefone 0800 642 3341.
O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma iniciativa executada no âmbito do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, como condicionante das atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural pela Petrobras. Em Santa Catarina, o Trecho 1 é executado pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), responsável pelo monitoramento diário das praias entre os Molhes da Barra, em Laguna, e a Praia do Luz, em Imbituba.
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