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Justiça intervém no Sindicato dos Químicos após descumprimento de decisão judicial

Gestão anterior foi restituída após eleição de 2025 ser anulada

Por Lucas Renan Domingos04 de junho de 2026 3 min de leitura
Divulgação

A disputa em torno da direção do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Plásticas, Químicas e Farmacêuticas de Criciúma e Região teve um novo capítulo nesta semana. Após o descumprimento de uma decisão judicial que determinava a restituição da gestão anterior à eleição de 2025, um oficial de Justiça foi encaminhado à sede da entidade nessa quarta-feira, dia 3, para garantir o cumprimento integral da ordem expedida pela Justiça do Trabalho.

O caso teve início após a eleição sindical realizada em maio de 2025 e que terminou com a reeleição de Carlos de Cordes, o Dé, com 57,27% dos votos. A chapa concorrente, liderada pelo então vice-presidente Edson Rebelo, o Japonês, recebeu 41,56%.

O pleito foi posteriormente anulado pela Justiça. Na ação, um associado aposentado questionou a exclusão de trabalhadores inativos do direito ao voto. Ele argumentou que por 42 anos, os aposentados puderam votar independentemente de quitação de mensalidades e que a regra foi alterada no pleito de 2025, impedindo o voto de 200 associados. O autor da ação ainda declarou que a mudança não foi amplamente divulgada.

A sentença reconheceu que centenas de trabalhadores aposentados foram impedidos de votar. A Justiça entendeu que a medida comprometeu a legitimidade do pleito, uma vez que mais de duas centenas aposentados deixaram de votar. Em 31 de março de 2026, a Justiça determinou o retorno da diretoria anterior até que novas eleições fossem realizadas. A reintegração deveria ocorrer em 29 de abril deste ano. No entanto, segundo consta nos autos, a determinação não foi cumprida.

Diante do descumprimento, a Justiça reconheceu formalmente que a ordem judicial estava sendo desrespeitada e determinou o retorno imediato da antiga gestão, garantindo acesso à sede do sindicato, documentos, chaves, sistemas, contas bancárias e todos os instrumentos necessários para o exercício pleno da administração da entidade.

Além disso, foram aplicadas penalidades financeiras decorrentes do descumprimento da decisão judicial. Somadas, as multas ultrapassam R$ 50 mil.

O que diz a atual diretoria do sindicato?

Em nota, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Plásticas, Químicas e Farmacêuticas de Criciúma e Região afirmou que em 2025 “cumpriu fielmente o estatuto e o regimento eleitoral da entidade, permitindo que votassem todos os sócios ativos e inativos, desde quites com suas mensalidades”.

De Cordes, presidente da chapa vencedora da eleição de 2025 e também presidente da diretoria reintegrada nesta quarta-feira, disse que todas as exigências da sentença foram cumpridas em respeito à Justiça do Trabalho.

O sindicato frisou ainda que a “reintegração é temporária porque a chapa vencedora das eleições de 2025 interpôs recurso ao Tribunal Regional do Trabalho e aguarda com tranquilidade que a sentença de primeiro grau seja reformada”.

Já Rabelo, vice-presidente da gestão reintegrada e candidato a presidente em 2025, afirmou que retorno da antiga diretoria representa “uma vitória da democracia sindical e dos trabalhadores”.

"A Justiça reconheceu que houve irregularidades graves no processo eleitoral e determinou o retorno da diretoria anterior. O que mais preocupa é que, desde abril, a categoria está sem informações concretas sobre negociações com o setor patronal. O trabalhador precisa de um sindicato presente, transparente e que esteja efetivamente defendendo seus interesses", pontuou.

Com a restituição da gestão anterior, a expectativa é de que o sindicato retome plenamente suas atividades institucionais, incluindo o diálogo com a categoria e as negociações de interesse dos trabalhadores, até a realização de uma nova eleição, que deve ocorrer em até 60 dias.

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