Leptospirose: infectologista chama atenção para sintomas da doença após alagamentos na região
Cuidado com a saúde
População que teve exposição direta com água das enchentes deve monitorar sinais

As fortes chuvas e alagamentos registrados nessa segunda-feira, dia 22, colocaram muitas pessoas em contato direto com água ou lama das enchentes. Em razão das ocorrências, a infectologista de Criciúma Mônica Junkes chamou a atenção da população para casos de leptospirose. A orientação é que sintomas específicos sejam monitorados nas próximas semanas.
O principal alerta, segundo ela, é para quem teve contato direto e prolongado com a água, especialmente sem equipamentos de proteção. Entre as pessoas que podem ter maior risco estão socorristas, voluntários e trabalhadores expostos a água contaminada, além de quem permaneceu por muito tempo em áreas alagadas.
“Os sintomas podem surgir até 30 dias, mas aparecem especialmente entre o quinto e o décimo quarto dia após a exposição. As pessoas que tiveram esse contato devem se atentar a quadros de febre de início súbito, associado a dor de cabeça e dor no corpo, náuseas, vômitos, diarréia e hemorragia subconjuntival, no olho. Esse são sintomas da fase inicial”, explicou.
A infectologista ainda atentou para o fato de que muitos pacientes acabam confundindo os sintomas como um quadro de gripe ou virose. Em alguns casos, os sintomas também podem se assemelhar à dengue ou influenza. De acordo com ela, uma das principais queixas apresentadas, que podem ser um sinal de atenção para a leptospirose, é a dor na panturrilha.
O que é a leptospirose?
Mônica explica que a leptospirose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Leptospira. Considerada uma zoonose, ela está principalmente relacionada à urina de animais infectados, especialmente roedores, e é mais comum em períodos chuvosos.
“A entrada no organismo pode ocorrer por ferimentos na pele ou pelas mucosas. Mesmo a pele sem lesões pode permitir a entrada da bactéria quando fica submersa por muito tempo. A maioria dos pacientes apresenta quadros leves e evolui bem. Em alguns casos, porém, a doença pode provocar icterícia, insuficiência renal e hemorragias, incluindo hemorragia pulmonar”, destacou.
Segundo a infectologista, falta de ar, vômitos frequentes e pele amarelada são sinais de alerta para formas mais graves da doença. No entanto, mesmo para os sintomas menores, a recomendação é procurar atendimento médico e informar no caso de contato com a água de enchentes.
“Além da leptospirose, se tratando de doenças transmitidas pelo contato com a água, sempre temos que nos preocupar com hepatites virais e, nesse contexto, principalmente hepatite A. A hantavirose também é outra doença transmitida através da urina de roedores. Também, outras infecções bacterianas podem acontecer através do contato com água contaminada”, pontuou.
Maria ainda explicou que o tratamento da doença é feito com antibióticos, no entanto, orienta que a população não se medique por conta própria. De acordo, com a infectologista a quimioprofilaxia não é indicada para todas as pessoas que tiveram exposição à água de enchentes e deve ser avaliada individualmente.



