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Liberado pelo IMA, desassoreamento do rio Sangão deve iniciar até agosto

Forquilhinha

Prefeitura de Forquilhinha vai cobrar participação da Prefeitura de Criciúma no custeio da obra

Por Jessica Rosso Crepaldi21 de junho de 2023 4 min de leitura
Thiago Hockmüller/Arquivo Engeplus

A Prefeitura de Forquilhinha anunciou a conquista da licença ambiental para a primeira etapa de desassoreamento do rio Sangão. A obra, orçada em R$ 10 milhões, prevê limpeza profunda em oito quilômetros de extensão do rio e deve iniciar até agosto, conforme estimativa dada pelo prefeito José Claudio Gonçalves, o Neguinho, em evento na tarde desta quarta-feira, dia 21.

Com a licença ambiental obtida junto ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), a prefeitura deve lançar até sexta-feira, dia 23, o edital licitatório para contratação da empresa que executará o projeto. “Cada chuva mais intensa alagava tudo e enchia as ruas e residências. Eu andei de bote no rio, neste trecho que vamos desassorear, e é uma obra de impacto social muito grande e muito sonhada”, justifica o prefeito.

Entre os bairros beneficiados com o desassoreamento do rio Sangão estão Cidade Alta, Ouro Negro e Nova York, todos em Forquilhinha, além do Sangão, em Criciúma. “Algumas comunidades de Maracajá também serão beneficiadas, mas o impacto direto é sobre Sangão e os de Forquilhinha”, explica Neguinho.

“Eu moro no bairro Cidade Alta e já perdi muita coisa. Com essa liberação a gente volta a respirar, a ter qualidade de vida. Faltava vontade política, são em torno de 120 casas atingidas por enchente e há uma semana tivemos aflição com a chuva, com a possibilidade de enchente e graças a Deus não pegou a nossa região”.

Jailson da Silva Rosa, morador do bairro Cidade Alta
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Divisão do custo

Diante do benefício causado para as famílias que moram no bairro Sangão, em Criciúma, o prefeito de Forquilhinha entende necessária a divisão do custeio também com a Prefeitura de Criciúma. E vai encaminhar um ofício solicitando ao prefeito Clésio Salvaro o repasse de 50% do valor total da obra.

“Agora somos do mesmo partido, mas estamos falando de gestão. Ele atende os interesses do município de Criciúma e eu atendo os interesses de Forquilhinha. Neste caso o interesse é comum, porque o rio Sangão favorece Forquilhinha e Criciúma. Não vou limpar apenas a parte de Forquilhinha, mas também a de Criciúma. Então é dever da Prefeitura de Criciúma ajudar com 50%”, argumenta o prefeito, explicando que não descarta judicializar o embate caso não tenha aceno positivo de Salvaro.

“Se não ajudar de forma amigável, vai ser judicial, com toda a certeza. Ele disse que iríamos conversar e acredito que vai encaminhar um projeto de lei para a Câmara e vai se responsabilizar pelo pagamento da metade dos recursos que o município de Forquilhinha vai utilizar”, afirma.


Estimativa é que obra também beneficie o bairro Sangão, em Criciúma. (Fotos: Thiago Hockmüller/Arquivo Engeplus)

Vida no rio

A obtenção da licença ambiental durou cerca de nove meses. Para tanto, foi necessário o atendimento de necessidades apontadas pelo IMA, como local adequado para destinação do material que será retirado do rio. Estima-se que 200 mil metros cúbicos serão removidos do rio Sangão, devolvendo a perspectiva de restabelecimento da vegetação e fauna, conforme explica o coordenador regional do IMA, Ibanez Zanette.

“Não se trata de um desassoreamento como qualquer outro. Quando tira a turfa, ela é depositada às margens. No caso do rio Sangão existe um rejeito piritoso, que é da extração de carvão, que é contaminante. É um rio que não é habitado por peixes por essa contaminação. Então tivemos que dar fim adequado para esse material, que vai ser alocado em bota-fora próximo ao rio e depois que ficar seco será destinado ao local definitivo onde não terá a contaminação. Com o desassoreamento desta parte, com a revegetação da margem e a qualidade da água melhorando, com certeza a fauna do rio será restabelecida”, projeta.

Após a licitação e assinatura da ordem de serviço, a estimativa é que a obra dure cerca de seis meses. Caso a Prefeitura de Criciúma arque com 50% da despesa, Neguinho pretende usar os R$ 5 milhões de sobra para encaminhar o aumento da área desassoreada.

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