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Lobos-marinhos nas praias? Saiba o motivo dos aparecimentos e o que fazer ao avistá-los

Visitantes do mar

Presença dos animais marinhos tem sido recorrentes no Sul de Santa Catarina

Por Patrick Stüpp15 de setembro de 2026 3 min de leitura
PMP-BP

Ocorrências envolvendo a presença de lobos-marinhos nas faixas de areia têm sido recorrentes em praias do Sul de Santa Catarina. O Setor B do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP), somente entre os meses de maio e setembro de 2026, período que compreende o ápice da temporada de migração, registrou aproximadamente 250 pinípedes, grupos de animais que incluem lobos e leões-marinhos.

Conforme a coordenadora do Museu de Zoologia da Unesc e do PMP-BP, Morgana Gaidzinski, ao longo do trecho monitorado, que compreende a Barra do Rio Araranguá e a Barra do Camacho, a principal espécie avistada foi os lobos-marinhos-sul-americanos (Arctocephalus australis). No entanto, também podem ser vistos o lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis), o leão-marinho-sul-americano (Otaria flavescens).

“Esses animais se reproduzem principalmente em colônias localizadas no Uruguai, na Argentina e nas Ilhas Malvinas/Falkland. Após o período reprodutivo, principalmente os individuos jovens realizam longos deslocamentos em busca de alimento em direção ao litoral Sul do Brasil. Ao longo dessas viagens, podem chegar ao Rio Grande do Sul, Santa Catarina e, até mesmo, alcançar áreas mais ao Norte do litoral brasileiro”, frisou. Por exmeplo, o vídeo abaixo mostra um lobo-marinho visto em Jaguaruna. Confira:

"Visitantes naturais"

Embora a frequência de avistamentos e ocorrências, Morgana explicou que os lobos-marinhos são considerados “visitantes naturais” do Litoral Sul do Brasil. A coordenadora ressaltou que os animais são mamíferos marinhos pertencentes ao grupo dos pinípedes, que também inclui focas, leões-marinhos e elefantes-marinhos. Diferente das baleias e golfinhos, eles passam parte da vida fora d’água, utilizando praias, costões rochosos e ilhas para descansar.

“Os avistamentos são mais comuns durante o outono, o inverno e a primavera, quando as águas estão mais frias e as condições oceanógrifas favorecem o deslocamento desses animais. No geral, nem sempre que o animal é encontrado na areia, significa que esteja doente. Muitas vezes, os lobos-marinhos chegam à praia apenas para descansar e recuperar as energias após longos deslocamentos”, afirmou.

Para a reportagem do Portal Engeplus, Morgana pontuou que estudos científicos apontam um crescimento ou recuperação de determinadas populações de lobos e leões-marinhos no Atlântico Sul. Entretanto, a coordenadora destacou que o número de registros do Setor B não deve ser relacionado exclusivamente ao crescimento populacional, já que também pode estar associado à dispersão sazonal dos animais, às condições oceanógrifas, à disponibilidade de alimento e ao esforço diário e sistemático do monitoramento dpo PMP-BP.

Lobo-marinho encontrado no dia 5 de setembro no Campo Bom, em Jaguaruna. (Foto: PMP-BP | Divulgação)

O atendimento

No local, a equipe realiza o registro da ocorrência, identifica a espécie, observa seu comportamento e verifica se existem ferimentos, sinais de fraqueza, dificuldade respiratória, desidratação ou materiais presos no corpo. O espaço onde o animal se encontra também pode ser sinalizado ou isolado para manter as pessoas e animais domésticos afastados. Caso o lobo-marinho esteja saudável e apenas descansando, ele permanece na praia sob monitoramento até retornar espontâneamente ao mar.

“A equipe não força sua devolução, já que o animal marinho precisa ter liberdade para sair no momento adequado. Porém, caso apresente ferimentos, debilidade ou outra condição que exija atendimento, o animal marinho é resgatado com equipamentos e técnicas apropriadas e encaminhado para avaliação veterinária. Ele recebe exames, medicação, alimentação adequada e cuidados para a reabilitação. Depois de recuperado, é devolvido para a natureza”, finalizou a coordenadora do PMP-BP.

Encontrou um lobo-marinho na praia? É importante seguir determinadas orientações. Veja:

  • Manter distância;

  • Não tocar nem alimentar o animal;

  • Não oferecer água e não molhá-lo;

  • Não fazer barulho nem cercá-lo;

  • Manter cães e outros animais afastados;

  • Não tentar empurrá-lo ou devolvê-lo ao mar;

  • Comunicar imediatamente a equipe responsável.

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