Profissional da Saúde
Lucinda Quetherim Sabino: há 14 anos se dedicando à saúde pública de Criciúma
Atualmente a técnica de enfermagem atua na Vigilância Epidemiológica de Criciúma
Por Rafaela Custódio
5 min de leitura

Mudar de profissão seis meses antes da formatura e optar por trabalhar com que sempre sonhou, seria loucura? Para Lucinda Quetherim Sabino, de 35 anos, não foi. Ela trocou radicalmente de profissão e de programação de site foi atuar na saúde pública. Há 14 anos trabalha na Prefeitura de Criciúma, sendo que há três está na Vigilância Epidemiológica.
A filha mais nova dos três filhos de José Sebastião e Nair Alegre Sabino está focada no combate ao coronavírus. A técnica de enfermagem da Vigilância está atuando na pandemia desde fevereiro. Isto porque as reuniões sobre o novo vírus iniciaram ainda no segundo mês de 2020 e desde então ela está focada e buscando estudar sobre a Covid-19. Moradora da área central, ela é casada há sete anos com Marcos Milanez.
“Cheguei a fazer estágio na área de programação de site, mas não era o que eu sonhava e seis meses antes da formatura acabei saindo do curso. A minha mãe não aprovou a minha decisão, pois meu irmão tem essa profissão e queria que eu seguisse os mesmos passos, porém fiz diferente e não me arrependo”, conta.

Lucinda é técnica de enfermagem e também é enfermeira formada pelas Faculdades Esucri. Ela trabalha há 14 anos na Prefeitura de Criciúma, sendo que atuou durante 11 anos na Unidade de Saúde da Mulher da cidade e foi convidada para trabalhar no setor de agravos da Vigilância Epidemiológica onde está há três anos. “Trabalho com mais questões burocráticas. Estamos sempre investigando doenças infectocontagiosas como gripe, dengue, meningite, malária e raiva. Agora estamos atuando também com a Covid-19”, comenta. “Nós já trabalhávamos com esse contato com os pacientes em relação a explicações, detalhes e até mesmo investigações sobre os casos, mas obviamente não era tão intenso como essa sendo nesta pandemia do coronavírus”, acrescenta.
Todos os casos de coronavírus de Criciúma passam por ela
Lucinda faz um trabalho importante para a cidade. É ela que faz a captação de dados dos pacientes que fizeram a coleta de teste da Covid-19. “Os dados chegam em papéis e eu passo tudo para as tabelas on-line e por essas tabelas acabamos passando os resultados para a Secretaria de Saúde de Criciúma e também de outros municípios. É um trabalho de formiguinha, ou seja, todo dia um pouquinho e assim vamos conseguindo saber quem são os pacientes, endereços e informações sobre as pessoas”, explica.

Lucinda teme as próximas semanas e relata que o pico do coronavírus ainda pode, sim, chegar na cidade. “É difícil fazermos uma análise se teremos ou não o pico, mas com reabertura de alguns serviços, aglomerações de pessoas, acabamos tendo mais casos, e os números mostram isso”, pontua.
Hoje, Lucinda atua no setor com mais duas técnicas de enfermagem e duas enfermeiras e ela está trabalhando de 12 a 15 horas por dia. “Não temos mais fins de semana ou um horário definido. Estamos realmente dedicadas a ajudar o município e também os pacientes. Com certeza juntos vamos vencer a pandemia, mas não sabemos quando tudo isso vai terminar, não sabemos. Vamos continuar trabalhando e buscando dar nosso melhor”, comenta.
Família
A técnica de enfermagem relata que ficou 45 dias longe de sua mãe e esse foi um dos maiores desafios da pandemia. “Minha mãe estava sempre na minha casa, ficava sempre comigo e eu sempre a ajudei. Fiquei 45 dias sem ver ela e quando vi não pude tocar, abraçar e beijar. Foi bastante dolorido, mas isso é necessário neste momento. Ela completou 70 anos em maio e não fizemos festa, mas realizamos uma carreata surpresa para ela, só para o momento não passar em branco e ela ficou bastante feliz”, lembra.

Lucinda comenta que os irmãos estão mais ligados neste momento com a mãe e realizando as atividades com ela. “Como estou trabalhando muito, meu irmão está cuidando mais da minha mãe. Já na minha casa, estou tomando todos os cuidados possíveis. Temos um local isolado para as roupas e para que não tenhamos contaminação”, afirma.
E o futuro?
A profissional comenta que é difícil não estar com os amigos e com pessoas próximas, porém é necessário. “É bem complicado não poder fazer uma janta com meus familiares, por exemplo. Mas é preciso ter empatia pelo próximo. É um momento complicado. A pandemia não está afetando apenas os criciumenses, está afetando o mundo e precisamos ter essa consciência”, analisa.
Lucinda pede que as pessoas tenham empatia pelo próximo. “Posso estar contaminada e não ter sintomas e por isso vou fazer uma festa? Óbvio que não. Vou pensar no próximo, nas pessoas, nos meus amigos e familiares. Não sabemos onde o vírus está e precisamos de cuidado”, declara. “Não sabemos quando será o pico e se terá, a única certeza é que precisamos ter consciência com a saúde do próximo e que as pessoas precisam entender que estar em um hospital ou em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) não é legal, não é mesmo”, finaliza.
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