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Magistério catarinense: Sinte não descarta nova paralisação e aguarda propostas do governo de SC

Santa Catarina

A greve foi paralisada por 60 dias no último 8 de maio

Por Rafaela Custódio04 de junho de 2024 5 min de leitura
Samuel Borges/Portal Engeplus

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte) segue buscando negociar com o governo do Estado melhorias para o magistério catarinense. Eles paralisaram a greve no último dia 8 de maio por 60 dias, mas garantem que podem retornar à paralisação caso o Estado não apresente nenhuma novidade à categoria.

“A gente estabeleceu uma mesa de negociação como ponto único. O reajuste e a descompactação da tabela salarial à carreira para os trabalhadores. Na primeira reunião da negociação, o governo reafirmou os pontos que ele havia apresentado de acordo com a suspensão da greve, que era editar o preço no mês de junho do concurso público e a chamada para 2025, hora-atividade para o início de 2025, que é desde 2011 que o governo não cumpre a hora-atividade. Por que a hora-atividade? É um percentual do tempo, um terço, para o professor preparar a aula e também para ele fazer as avaliações”, explica o coordenador do Sinte-SC, Evandro Accadrolli, em entrevista ao Portal Engeplus.

Segundo o coordenador do Sinte, o governo também anunciou o reajuste do vale-alimentação. “O governo trouxe para setembro esse reajuste. E ficou pendente a mesma negociação para discutir as perdas salariais, que é o percentual de 16%, como se a gente pegar do último reajuste que foi em 2021 até agora. A carreira que nós queremos que os salários sejam diferentes de um professor que tem qualificação, mestrado, doutorado, tempo de serviço e dedicação à rede. Ele precisa receber um salário diferente do professor que está chegando hoje com a informação de Ensino Médio, por exemplo, que é o piso nacional”, detalha Accadrolli.


Foto: Rafaela Custódio/Arquivo/Portal Engeplus

Accadrolli observa que a educação básica faz diferença em toda vida de um estudante. “O governo nos informou que esse ano vai priorizar obras, principalmente as rodovias, e não tem intenção de investir nos serviços públicos, nos servidores públicos, em salários. O que ele esquece, que não investir em educação, talvez é comprometer as futuras gerações, principalmente com a formação do Ensino Médio. Uma criança que não tem uma boa formação básica, ela vai ter dificuldade de acessar uma boa universidade, ela vai ter dificuldade de acessar um bom curso, uma boa profissão”, destaca. Atualmente, Santa Catarina atende 520 mil alunos na rede estadual de ensino. “Achamos que investir nas pessoas é o melhor investimento que um governo pode fazer”, acrescenta.

É possível uma nova greve?

O coordenador do Sinte não descarta uma nova greve. “Se o governo não apresentar um reajuste, não apresentar uma proposta, é possível que em assembleia haja essa deliberação para greve. Quero acreditar que o caminho para não retomar a greve, não retomar essa paralisação, é o governo apresentar uma proposta concreta. E que bote dinheiro também”, afirma. “Agora é reajuste e valorização. Se ele vem de forma de reajuste, é um caminho. Se vier na descompactação da tabela salarial, botando percentuais nas pessoas para elas terem esse reconhecimento, é outro caminho. Agora é valorização”, completa.

Profissionais demitidos

Durante a greve, o governo demitiu 28 professores, mas todos foram recontratados. “Nós tivemos uma importante vitória na Justiça. O reconhecimento aqui no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que a greve é um direito dos trabalhadores, é constitucional. O governo fez uso de uma lei, que é a lei dos contratados de forma temporária, que se tiver três faltas, ele é demitido do trabalho. Inclusive, se essas três faltas forem para levar o seu filho ao médico ou cuidar do seu filho que está doente. Três faltas ou cinco periódicas durante o ano, ele é demitido do trabalho. O governo fez uso dessa lei para incluir na lei de greve e demitiu 28 professores que teve que recontratar por ordem judicial e não pôde punir nenhum trabalhador com falta”, explica.

Retorno das atividades

O coordenador do Sinte assegura que os professores estão repondo as aulas. “Estamos fazendo o nosso papel de reposição dessas aulas para garantir o direito para o aluno. Nós temos responsabilidade e achamos que todo conteúdo não trabalhado nesse período, ele precisa ser reposto. E os dias letivos também”, frisa.

Próxima negociação

A próxima negociação entre sindicato e governo será no dia 19 de junho. “Nós sentimos que o governo vai apresentar uma proposta nessa mesa. Nas demais, a gente saía sem esperança. O governo diz que vai trazer números, cálculos, para viabilizar uma proposta de remuneração. Quero acreditar que o governo vai apresentar uma proposta nesse período de negociação. Para a gente não precisar, em assembleia, ter que ter liberado paralisação ou outras atividades”, pontua.

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