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Mais educação, mais profissionais qualificados no Sul do Estado

Cursos profissionalizantes crescem na cidade e ajudam estudantes a trabalhar em diversos locais, inclusive em plataformas petrolíferas brasileiras

Por Redação Engeplus

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Foto: Fotos: Amanda Garcia Ludwig

Criciúma, ao longo dos anos, cresce em diversos aspectos: os moradores investem mais em educação, trabalho e passeios. A mão de obra qualificada não tem ficado para trás. O número de cursos profissionalizantes cresce a cada ano e os cidadãos que antes não teriam qualificações passam a ser contratados por empresas de todo o Brasil pela qualidade de seu trabalho.

Esse é um aspecto notado também pela Associação Empresarial de Criciúma (Acic), que oferece um rol de cursos profissionalizantes e disponibiliza centenas de profissionais para o mercado de trabalho anualmente. O vice-presidente da Acic, Iraíde Piovesan, avalia que a região Sul de Santa Catarina é a mais pobre do Estado no que diz respeito ao valor agregado. “É muito baixo, porque o valor agregado requer conhecimento. Para isso, precisamos de pessoas qualificadas que permaneçam na região, que só tem a ganhar com os cursos”.

Em alguns casos, no entanto, não é possível que o novo profissional permaneça no Sul catarinense pelo simples motivo de não existir um local possível de trabalho. É o caso de Ricardo Roldão Espíndola, que faz o curso de Petróleo e Gás oferecido pela Prepara Cursos em Criciúma. Seu destino deve ser uma das muitas plataformas petrolíferas que ficam localizadas em uma faixa de 800 quilômetros, entre o Estado do Espírito Santo e o Litoral catarinense. O mais perto de Criciúma que ele chegará em um primeiro momento é a plataforma petrolífera de Itajaí. “Acredito que esse é um curso diferencial para a cidade e que poderá ajudar ainda mais no Brasil como um todo. O petróleo é o novo ouro negro do país e as pessoas que estão fazendo estes cursos geralmente conseguem emprego na área”, comenta o estudante.

Esse destino deve ser o dos criciumenses por um período considerado, por Piovesan, curto. Segundo ele, há alguns anos 80% desta demanda era levada por empresários de outras cidades. Agora, já são apenas 20% dos novos profissionais indo embora. “O melhor é que existam cursos voltados para nossa região, como é o caso da mineração. Mas a questão do pré-sal ainda é bastante nova e acreditamos que chegará ao Sul catarinense em alguns anos. Por isso já é importante termos esse tipo de curso sendo oferecido em Criciúma”, ressalta o vice-presidente da Acic.

De acordo com Elaine Cristina Pereira Gadelha, funcionária da Prepara Cursos, já são 150 alunos matriculados no curso e, inclusive, alguns deles foram trabalhar na plataforma petrolífera de Itajaí após a conclusão. A formação, segundo ela, é para auxiliar de plataformista ou auxiliar de logística da plataforma, mas existe uma hierarquia a ser alcançada com o passar do tempo. E o curso não tem sido uma escolha apenas de homens, como é costumeiramente pensado. São homens e mulheres, de 16 a 45 anos matriculados. “Não existe uma idade máxima, apenas a mínima. São vários os interessados”, garante Elaine.

O Sistema Fiesc lançou, em janeiro deste ano, o Comitê de Petróleo e Gás, como forma de incentivar empresas catarinenses a aumentar a participação como fornecedora de bens e serviços do setor. Conforme informações do Fiesc, o segmento de óleo e gás prevê um investimento de R$ 400 bilhões para atender a demanda do setor no Brasil até 2020. O presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, explica que o comitê terá como função, além de alavancar a participação da indústria do Estado nos investimentos, promover a articulação com universidades e centros de pesquisa visando atender as necessidades do setor. “Como sabemos, o Brasil está numa fase de grande crescimento na atividade de óleo e gás. Essa rápida expansão traz muitos desafios envolvendo inúmeras questões tecnológicas”, observa Côrte.

Olnete Bez Fontana, secretária de Educação de Criciúma, avalia como positiva a vinda de cursos profissionalizantes à cidade e a atenção às necessidades em áreas que antes não se pensava capacitar. No entanto, ela faz ressalvas quanto à forma como os certificados acabam sendo utilizados. Olnete acredita que esse tipo de curso deve servir como uma ponte para a continuidade da educação. “É necessário que o aluno ainda siga para uma graduação, pós-graduação e, por quê não, um mestrado”, comenta.

Segundo a secretária, a cidade deve colher apenas frutos positivos caso os professores incentivem os alunos a seguirem os estudos. “Os jovens querem uma remuneração melhor a um curto prazo, e é para isso que servirá o curso profissionalizante. A longo prazo, no entanto, ele será recompensado ainda mais se continuar com a vida escolar”, complementa Olnete.

O caso contrário também é válido. Existe o aluno que já formado em alguma faculdade, procura o curso mais rápido para dar uma levantada no currículo e aprender algo diferente. Espíndola já é formado em Ciências Contábeis e resolveu seguir o caminho inverso ao comum. “Eu gosto da área de economia e acho que valerão a pena o tempo e dinheiro investidos”, finaliza.

O número de cursos profissionalizantes em Criciúma cresceu nos últimos anos; atualmente, a cidade conta com seis escolas do ramo. Isso se dá, conforme o diretor da Projeta Cursos, Maicon Puttini, porque a cidade já é considerada um polo e sua região metropolitana agrega quase 400 mil pessoas. Puttini veio de São Paulo para se instalar em Criciúma após uma série de estudos sobre o mercado de trabalho da cidade. "Esse é um trabalho focado no mercado, as empresas têm nos buscado para que consigamos fornecer profissionais qualificados. Criciúma teve um up muito grande com relação à indústria e ao comércio, mas ficou atrás no que diz respeito a qualificação dos profissionais. Viemos para sanar essa deficiência", pondera.

O diretor corrobora a ideia da secretária de Educação do município, Olnete Bez Fontana, de que o curso deve servir como ponte ao ensino superior. De acordo com Puttini, o profissionalizante deve ser feito como forma de conhecer a área de atuação em que se pretende inserir. "O técnico ou a graduação exige um investimento maior, e por isso o profissionalizante traz esse conhecimento sobre a área. Quando se desiste de um curso superior, o malefício é maior. Com esse conhecimento prévio, esse primeiro passo, é possível buscar outras alternativas", reafirma.

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