Mapa do Feminicídio: Sul tem a segunda maior média de crimes entre as regiões de SC
Violência
Região teve 73 feminicídios entre 2015 e 2026

O Sul de Santa Catarina, ao lado da região serrana, tem a segunda maior taxa média de feminicídios no estado. Foi o que apontou o Mapa do Feminicídio, ferramenta lançada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) no dia 30 de março, que cruza e organiza dados oficiais, reunindo análises que ajudam a dimensionar como a violência letal contra mulheres se manifesta no estado, a partir da identificação de padrões, fatores de risco e impactos sociais associados aos crimes.
Enquanto Santa Catarina possui uma taxa média de 1,71 feminicídios a cada 100 mil mulheres, esse mesmo dado no Sul e na Serra é de 2,56, ficando atrás apenas da região de Caçador, que apresenta um resultado de 2,75, a maior média no estado.
Os números apresentados na ferramenta não apresentam dados detalhados de 2025 em razão do tempo necessário para a consolidação, verificação e qualificação das informações. Ainda assim, para evitar qualquer interpretação equivocada ou a falsa percepção de redução dos casos de feminicídio, o MPSC optou por analisar os dados de 2025 a partir do número absoluto de vítimas, sem classificações aprofundadas por motivação, contexto ou vínculo com o agressor.
Taxa média de feminicídio em Santa Catarina por regiões*:
Região de Caçador: 2,75
Região de Criciúma: 2,56
Região de Lages: 2,56
Região de Chapecó: 2,55
Região de Joinville: 1,55
Região de Blumenau: 1,52
Região de Florianópolis: 1,01
*Feminicídios a cada 100 mil mulheres

Feminicídios no Sul de SC
Desde 2015, o Sul do estado registrou 73 feminicídios, segundo levantamento feito pelo Portal Engeplus com base em informações das delegacias regionais de Criciúma, Tubarão, Araranguá e Laguna.
Na região de Criciúma, por exemplo, os dados demonstram um crescimento na quantidade de crimes nos últimos três anos. Foram três feminicídios em 2023, seis em 2024 e oito em 2025. Em 2026, a delegacia regional de Criciúma registrou o primeiro e único feminicídio do ano no dia 28 de março, quando Grasiela de Candido, de 39 anos, foi morta pelo marido no bairro Linha Batista.
Delegacia201520162017201820192020202120222023202420252026TotalCriciúma-1--2-1--36114Forquilhinha----12--111-6Içara--1-2---11--5Morro da Fumaça1------11---3Balneário Rincão---------11-2Nova Veneza---1--------1Siderópolis------1-----1Total11115221368132
Números de feminicídio na área da 6ª Delegacia Regional de Polícia de Criciúma (6ª DRP)
Delegacia201720182019202220232025TotalTubarão12111-6Braço do Norte4-----4Jaguaruna-----11São Ludgero---1--1Total52121112
Números de feminicídio na área da 5ª Delegacia Regional de Polícia de Tubarão (5ª DRP)
Delegacia20152018201920202022TotalLaguna12-115Imbituba-21--3Garopaba-1-1-2Imaruí--1--1Total1522111
Números de feminicídio na área da 18ª Delegacia Regional de Polícia de Laguna (18ª DRP)
Delegacia201520172019202020212022202320242025TotalAraranguá11-1--11-5Sombrio---1--2--3Baln. Arroio do Silva---1-1---2Meleiro-----1-1-2Passo de Torres--1-1----2Santa Rosa do Sul--------11São João do Sul--1------1Timbé do Sul--------11Turvo------1--1Total11231242218
Números de feminicídio na área da 19ª Delegacia Regional de Polícia de Araranguá (19ª DRP)
O feminicídio no estado
O Mapa do Feminicídio indica que, em Santa Catarina, o crime mantém forte vínculo com relações afetivas, mesmo quando os relacionamentos já haviam sido encerrados: 71% dos casos são classificados como feminicídios íntimos, cometidos por companheiros ou ex?companheiros.
Outro dado expressivo revelado aponta que 68,9% das vítimas tinham histórico prévio de violência, não necessariamente pelo sistema de proteção. Em muitos desses casos, no entanto, essa trajetória de agressões não havia se convertido em registros formais nos serviços de saúde, assistência social ou segurança pública.
“A pergunta que os dados nos devolvem é: onde estavam essas vítimas antes do desfecho letal? Onde essa história de violência permaneceu silenciada ou invisível ao longo do caminho? Esses relatos aparecem nos processos, mas, na maioria das vezes, não chegaram aos serviços de proteção, o que evidencia falhas de acesso, informação e acolhimento”, destacou a promotora de Justiça e coordenadora-geral do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (Neavit), Chimelly Louise de Resenes Marcon.




