Saúde

Março azul-marinho faz alerta a prevenção do câncer colorretal

Câncer de intestino

Doença acomete tanto mulheres como homens

Por Emanuela Teixeira06 de março de 2026 4 min de leitura
Freepik/Ilustração

Além da endometriose e as neoplasias, o terceiro mês do ano também traz a tona a concientização ao câncer do colorretal. A doença, que ocorre no intestino grosso, está entre os três cânceres mais comuns. No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados cerca de 45 mil novos casos por ano, sendo um dos tumores malignos mais frequentes tanto em homens quanto em mulheres.

O mês de conscientização, conhecido como Março azul-marinho, tem um papel fundamental porque ajuda a quebrar tabus relacionados a saúde intestinal. “Ele aumenta o conhecimento da população sobre a doença, incentiva a realização de exames de rastreamento, combate o medo ou preconceito em relação à colonoscopia, informa e reforça a importância da prevenção”, compartilhou a médica cirurgiã coloproctologista e cirurgiã geral, Denise D’Avila Búrigo.

Conforme a médica, a doença se desenvolve no intestino grosso, o que chamamos de cólon e, a porção final, o reto. “Nós sabemos que as lesões que originam o câncer de intestino grosso e reto, são pequenas lesões chamadas pólipos, que são como ‘verruguinhas’ e crescem na mucosa, a parte mais interna da parede do intestino”, explicou a profissional.

Ela destacou que eles são pequenos e benignos inicialmente, não causam sintomas e podem ir crescendo até virar o “adenocarcinoma”. “Sabemos que esse tempo demora em média 8 a 10 anos, o que torna o câncer colorretal um dos tumores mais preveníveis, quando fazemos exames preventivos”, contou.

Por muitas vezes não apresentar sintomas caracteristicos, a doença é mais dificil de ser identificada. “No início, a pessoa não tem sintomas, e é justamente por isso que o rastreamento é tão importante. Quando aparecem, os sinais mais comuns podem incluir: sangue nas fezes, mudança no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre persistente), fezes mais finas, dor ou desconforto abdominal frequente, sensação de evacuação incompleta, perda de peso sem causa aparente, cansaço ou anemia”, destacou a médica.

Esses sintomas são comuns em outras doenças, como hemorroidas ou inflamações intestinais. Justamente por isso, é importante investigar quando algo parecido acontecer. “O principal exame para diagnóstico e prevenção é a colonoscopia. Durante a colonoscopia, percorremos todo o intestino grosso com um aparelho flexivel com uma câmera, com ele conseguimos visualizar todo o orgão”, relatou a profissional.

Chances de cura podem passar de 90%

A recomendação geral é iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos, ou antes em pessoas com história familiar, fatores de risco ou sintomas. Segundo a coloproctologista, uma informação importante é: quando diagnosticado precocemente, as chances de cura podem ultrapassar 90%.

“O tratamento depende principalmente do estágio da doença. As principais opções incluem a retirada de lesões precoces que pode ser realizada pela colonoscopia ou com cirurgia, que é o tratamento mais importante quando o câncer é diagnosticado em fases iniciais”, salientou.

Denise frisou que o objetivo é retirar o segmento do intestino onde está o tumor. “Realizamos preferencialmente por videolaparoscopia ou por cirurgia robótica, que promovem uma segurança e recuperação muito mais rápida, do que técnicas de cirurgia aberta ou convencional”, pontuou.

Além disso, também podem ser realizados a quimioterapia, radioterapia ou terapias alvo e imunoterapias, em alguns casos espeicificos.

Complicações importantes

Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de tratamentos, menos agressivos e melhores resultados. Quando o diagnóstico é feito tardiamente, o câncer colorretal pode causar complicações importantes, como obstrução intestinal.

“O tumor fecha a passagem das fezes e há necessidade de cirurgias de urgência. Pode ocorrer também a perfuração do intestino, sangramento intestinal, metástases, no fígado e nos pulmões. E a mais temida condição, é a eventual necessidade de utilizar a bolsa de colostomia”, ressaltou Denise.

A profissional expressou que a principal mensagem sobre o câncer colorretal, é que ele é um dos poucos cânceres que podem ser prevenidos. Uma boa forma de prevenir, seria adicionar alguns hábitos saudavéis como parte da rotina. “Alimentação rica em fibras, frutas e vegetais, atividade física regular, evitar tabagismo, reduzir consumo de álcool, manter peso saudável e cuidar da saúde intestinal é uma parte essencial da saúde geral”, concluiu a especialista.

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