Geral

Médicos manifestam preocupação sobre momento da pandemia no Sul catarinense

Pedido à comunidade

Profissionais pedem respeito às medidas sanitárias para evitar colapso do sistema de saúde

Por Lucas Renan Domingos04 de dezembro de 2020 4 min de leitura
Rafaela Custódio/Portal Engeplus

O Sindicato dos Médicos da Região Sul Catarinense (Simersul), a Regional Médica da Zona Carbonífera e a Associação Catarinense dos Médicos (ACM) Regional Sul emitiram uma nota conjunta na tarde desta sexta-feira, dia 4, sobre o momento da pandemia no Sul catarinense. Os médicos relataram preocupação com a situação de hospitais lotados e as condições extremas de atendimento que os profissionais de saúde estão precisando enfrentar.

Na nota as entidades afirma que o sistema de saúde está próximo de entrar em colapso, faltando leitos inclusive na rede privada de atendimento. O texto implora ainda para que a população seja colaborativa e mantenha os cuidados de higiene para evitar a proliferação do vírus e que, principlamente, evitem aglomerações.

"E de nada adianta o distanciamento social e os cuidados dos mais velhos, se quem vai levar a doença para o interior dos seus lares são seus próprios filhos. Teremos todos que fazer sacrifícios neste fim de ano e verão próximo, evitando ao máximo as aglomerações, mesmo entre família e amigos, para que este não seja o último Natal de muitos", diz um trecho da nota.

O conteúdo é assinado por Licínio Argeu Alcântara, presidente do Simersul, por André De Luca dos Santos, presidente da Regional Médica da Zona Carbonífera e Daniel Meller Dal Toe, vice-presidente distrital Sul da ACM.

Confira a nota completa:

Nota à comunidade - Entidades Médicas de Criciúma e Região

O Sindicato dos Médicos da Região Sul Catarinense (Simersul), a Regional Médica da Zona Carbonífera e a Associação Catarinense dos Médicos (ACM) Regional Sul manifestam grande preocupação com o estado atual do enfrentamento à emergência em saúde causada pelo coronavírus.

Com isso, reforçam a necessidade de cooperação da população no intuito de não descuidar dos hábitos de higiene, do uso de máscaras faciais e da atenção aos grupos de risco, e especialmente evitar aglomerações desnecessárias, considerando que Criciúma está vivenciando o momento mais crítico com relação à pandemia.

Estamos presenciando o desrespeito aos decretos e resoluções, onde muitos expõem suas vidas e as de outros em momentos de aglomeração, em ambientes públicos e privados.

Exigimos que as autoridades busquem ampliar os leitos, adquirir insumos, contratar pessoal, porém é preciso que a fiscalização seja intensificada de forma urgente para o cumprimento das regras por parte dos cidadãos.

Os hospitais estão lotados e os médicos, assim como os demais profissionais de saúde, estão atendendo em condições extremas. Estamos à beira do colapso da estrutura de saúde. Isto significa que ficaremos sem leitos disponíveis em UTIs, mesmo na rede privada, o que pode levar a mortes desnecessárias de parentes e amigos.

Suplicamos a todos que se cuidem para que, desta forma, possamos reduzir a contaminação, e o sistema de saúde consiga voltar a suportar a demanda.

As festas de fim de ano estão chegando. Passaremos por essas festividades com os hospitais ainda lotados, o que significa que poderemos começar 2021 numa situação ainda mais dramática do que foi todo o ano de 2020.

As estatísticas oficiais são claras: as pessoas na faixa etária de 20 a 45 anos correspondem a grande maioria dos casos de contaminação, mas felizmente, com uma baixíssima taxa de letalidade, o que faz muitos considerarem que a infecção pelo novo coronavírus seja algo banal. Já a população com idade acima de 50 anos, mesmo com taxas de contaminação bem menores que a população mais jovem, apresenta uma chance muito maior de complicações, com internações prolongadas em enfermarias e UTIs, com uma duração média de 14 dias (nos casos onde tudo ocorre bem), podendo se arrastar por várias semanas e meses, longe de seus familiares, sem contato real e com sequelas que podem ficar para toda a vida.

E de nada adianta o distanciamento social e os cuidados dos mais velhos, se quem vai levar a doença para o interior dos seus lares são seus próprios filhos. Teremos todos que fazer sacrifícios neste fim de ano e verão próximo, evitando ao máximo as aglomerações, mesmo entre família e amigos, para que este não seja o último Natal de muitos.

Que autoridades e população cumpram seus deveres e assim possamos vencer essa guerra, que é de todos.

Licínio Argeu Alcântara
Presidente do Simersul

André De Luca dos Santos
Presidente da Regional Médica da Zona Carbonífera

Daniel Meller Dal Toe
Vice-presidente Distrital Sul da ACM

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