Metodologia no ensino da matemática conquista alunos no Sesi Escola
Educação
Instituição de ensino recebeu 16 de medalhas em concurso nacional

A matemática pode deixar muita gente em pânico. Pelo menos é o que dizem alguns alunos que possuem dificuldade na hora de fazer contas. Mas, resolver ‘problemas’ faz parte do cotidiano das pessoas. Pensando nisso, uma professora de matemática do Sesi Escola, de Criciúma, resolveu ensinar aos alunos, de uma forma mais descontraída, como aprender a disciplina.
O resultado é acompanhado de perto pela comunidade escolar, que recebeu o resultado de que 16 alunos do 5º ao 9º foram premiados com medalhas de honra ao mérito, prata e bronze, no Concurso Canguru de Matemática Brasil 2019. Essa é a maior competição de Matemática do mundo, com mais de 6 milhões de participantes por ano em 75 países.

Os estudantes que receberam medalha do mérito estão entre os 4% mais bem colocados do país. Já a medalha de bronze são aqueles que ficaram entre os 3%, e os que receberam a medalha de prata são os estudantes que estão entre os 2% mais bem colocados do país.
Seis alunos, dos 16 medalhistas do concurso conversaram com a nossa equipe de reportagem e todos comentaram sobre a metodologia ter ajudado muito a aprender a gostar da matemática e entender as questões da disciplina.
A professora Renata Brito Pereira mestre de educação em matemática explica que trabalha com metodologia ativa, na qual, deve estar sempre contextualizando o conteúdo para que o aluno veja que a matemática tem aplicabilidade no dia a dia dele.

"Utilizo sempre o contexto com as ferramentas tecnológicas que o Sesi Escola tem disponível. Utilizo a sala de matemática, a sala tecnológica, todos os recursos para poder aplicar matemática. Eu tento mostrar isso para eles, que a matemática tem o tempo todo aplicabilidade, porque se eu não enxergo essa aplicabilidade, não vou conseguir aprender", Renata Brito Pereira, mestre de educação em matemática.
Ao ser questionada se ela sempre trabalhou dessa forma, a mestre e professora conta que enquanto fazia o mestrado em 2018 tomou uma decisão. "Naquela época eu usei modelagem em matemática que é a matemática a partir da sua cultura. Então a partir daquele momento eu introduzi nas minhas mateodologias isso, de aplicar a matemática no seu cotidiano".
Como exemplo trabalhado em sala de aula ela citou a Função do 2º Grau. "No gráfico, ela é uma parábola. No ano passado nós fomos ver construções de pontes que forma essa parábola, então eu pergunto, porque se utiliza essa parábola? onde ela é melhor? por que que nas construções de pontes é utilizada essa parábola? ou, onde eu vejo mais essa parábola. Eu vejo no lançamento de foguetes, de objetos, vejo essa parábola? Então na função do 2º Grau a gente verifica isso na prática.
Outro exemplo citado e que ela trabalha atualmente com os alunos, é a função do 1º Grau, que ela diz ser muito ligada ao dia a dia. "Na robótica, construímos um carrinho e fomos regulando a velocidade dele, a potência dele, para fazer relação de potência e tempo. Então isso é do dia a dia também. Eles estão vendo que, conforme a potência que colocam no carrinho, vai diminuir ou aumentar o tempo. Eles mesmos colocam esse conceito em prática. Assim é a metodologia ativa", explica.
Fabiana Martinello Paez é supervisora do Ensino Fundamental do Sesi Escola e mestre em educação. Segundo ela é perceptível o resultado positivo da metodologia utilizada pela professora.
"A gente fala muito hoje de metodologias ativas da aprendizagem. Que é colocar o aluno no foco no centro da aprendizagem. Então, ele em relação ao conteúdo, desenvolve as habilidades e aprende os conceitos. Acho que a Renata tem disso, ela uso muito as tecnologias para que as crianças apliquem os conceitos, porque não adianta compreender o conceito e não conseguir aplicá-lo no dia a dia. A matemática é vida, ela está na vida, está no cotidiano", afirma.
A supervisora ainda diz que a professora utiliza de ferramentas tecnológicas, da robótica para que os alunos apliquem os conteúdos nos contextos trazidos por ela. "Chamamos estas opções de recursos educacionais digitais. Temos plataformas do ensino da matemática, como por exemplo, o Mangahigh, mas tem vários outros, que depende do professor buscar e encontrar as ferramentas mais adequadas para um grupo de alunos com necessidades diferentes de aprendizagem. O desenvolvimento de habilidades de matemática está também não só na dedicação e desempenho do aluno referente aos estudos, mas também na potência metodológica do professor que motiva ou não o aluno a querer estudar e gostar de matemática", comenta.
Para ela a importância de uma criança ter um percurso formativo em apenas uma escola, que previlegia as metodologias ativas, garante ao aluno um preparo completo para o Ensino Médio e para a vida acadêmica. "Eles iniciam na creche, vêm para o primeiro ano do Ensino Fundamental e passam os nove anos do ensino fundamental conosco. É nesse período longo que conseguimos formar o aluno com competências escolares que requerem o ensino fundamental", ressalta.

A aluna premiada Maria Laura Bongiolo Nunes, de 14 anos, do 9º ano revela que sempre gostou da matemática e que foi muito estimulada em casa a aprender. "Minha mãe sempre me estimulou muito, porque ela adora matemática. Com o passar do tempo eu fui aprendendo muito mais com os professores", conta.

Já o aluno premiado Gabriel Rebelo Souza, de 14 anos, do 9º ano nunca foi muito fã de matemática. "Eu tenho uma certa dificuldade com interpretação, só que meus pais sempre foram muito interessados pela matemática. Meu pai sempre foi rígido, então ele acabava me ensinando e me obrigava a aprender, e aí eu tinha que aprender. Com o tempo foi o que aconteceu e isso foi gerando conhecimento", conta.

Mas há quem já está colecionando medalhas. Manuela Gregorini da Silva, de 13 anos, do 8º ano, recebeu a sua terceira medalha. Ela foi premiada duas vezes com medalha de ouro no concurso de matemática da Acic, que ocorre em Criciúma. Ela conta que nunca no ano passado teve dificuldades com a disciplina, mas hoje aprendeu a gostar. "Eu ficava muito triste com isso. E esse ano melhorou bastante, com o jeito que a professora explica, é melhor para aprender", afirma.

Isadora Macedo, de 13 anos, do 8º ano é do time que nunca gostou muito de matemática. Só recentemente é que se sentiu motivada a estudar e até gostar da disciplina. Tudo começou quando ela recebeu uma medalha no ano passado. "Eu comecei a gostar mais depois que ganhei uma medalha no concurso da Acic". Ela também disse que a forma de ensinar da professora e os exercícios passados por ela em sala de aula foram também responsáveis por estimular ainda mais o aprendizado.

Juliana Coelho, de 13 anos, do 8º ano sempre gostou da disciplina. Ela explica que o incentivo dos pais foi fundamental e também disparou "acho que todo mundo concorda que o jeito que a professora ensina ajudou todo mundo aqui a conquistar uma medalha".

Carlos Eduardo Martins Virtuoso, de 13 anos, do 8º ano, também sempre gostou de estudar matemática. O aluno foi o que mais evoluiu nos últimos anos na disciplina e deixou os educadores contentes com o resultado. "Eu sempre gostei de matemática. Nos anos iniciais meus pais me incentivavam mais, e depois quando eles perceberam que eu conseguia fazer sozinho deixaram mais por minha conta. Essa foi a minha primeira medalha", afirmou.



