Engeplus
Geral

Bairro Sangão

Moradora ficou ilhada dentro de casa com os três filhos

Cheia no Rio Sangão provocou diversos estragos e ainda gera preocupação aos moradores

Por Thiago Hockmüller

3 min de leitura

Compartilhar:
Foto: Thiago Hockmüller

Rosane Vieira, 42 anos, passou por momentos desesperadores entre a noite da última sexta-feira e a madrugada de sábado, durante o temporal que caiu sobre a região de Criciúma. Era por volta da meia-noite quando o já transbordado Rio Sangão invadiu a casa onde vive deixando ela e os três filhos, de 3, 10 e 13 anos de idade, ilhados.

Publicidade

A casa de Rosane fica a poucos metros do rio. Há dois anos morando ali, ainda não tinha presenciado cenas como a de sexta-feira. “Nem fazia ideia de como era. Danificou móveis, armários da cozinha. O guarda-roupa vai ter que ser jogado no lixo”, lamenta.

Logo que a água invadiu a casa, ela iniciou a busca por socorro. A correnteza do rio inviabilizou a saída do local e a ajuda só viria por volta das 3 horas. “Fiquei com os três filhos aqui. Comecei a berrar para a vizinha e ela disse que viria resgate, mas não veio”, conta.

Desesperada para tirar os filhos da zona de perigo, ela correu para os fundos e avistou um vizinho se protegendo em cima de um fogão a lenha. Foi então que conseguiu ajuda para deixar a casa. “Ele tirou as crianças depois atravessou tudo de novo e me pegou”, explica.

O trajeto realizado pelo vizinho, de aproximadamente 100 metros, não foi fácil. A lama e a correnteza do rio dificultaram a ação. Na parede da casa de Rosane, a marca amarelada da água não deixa mentir sobre a gravidade do problema. Na frente do pátio, outra evidência: um armário de cozinha, destruído, está descartado. Dentro de casa, mais prejuízo. A cozinha, em breve, terá que ser substituída. O guarda-roupa, idem.

Após a enchente do Rio Sangão e diante das preocupações motivadas por ela, não há como não pensar na previsão de chuva para quinta-feira. “A gente fica preocupada. Já pensou se enche e invade tudo de novo?”, lamenta.

Publicidade


Ruas ficaram inundadas pelo Rio Sangão e ontem ele novamente ele esteve perto de transbordar

O morador Daniel Colonetti, 49 anos, há 26 no bairro Sangão, tem na porta da garagem a marca da maior enchente que viu no bairro. Desta vez, a lama e a água invadiram o pátio, mas não a casa. “Quando vim morar aqui eu vi que era próximo do rio e fiz a casa mais alta. Eu nunca tive problema de água dentro da minha casa, mas a vizinhança aqui já foi toda atingida”, conta.

Ele ainda explica que alguns moradores pediram ajuda da Prefeitura para recolher os entulhos. A resposta não agradou. “O pessoal que tinha móveis embutidos perdeu tudo, porque não tinha como mexer e criou muito entulho dentro de casa. Com tudo molhado, sem ter como recuperar, foram ligando para a Prefeitura recolher, mas disseram que não tinha como recolher e se ficasse na frente de casa o pessoal seria multado”, reclama.

A estimativa realizada pela Secretaria de Assistência Social é que cerca de 25 famílias necessitam de ajuda imediata, com doações de alimentos, materiais de limpeza e higiene. Para quem quiser contribuir com os moradores, pode-se entrar em contato com o presidente da Associação dos Moradores do bairro Sangão, Diego Selau, pelo telefone (48) 99133-6565.

Compartilhar:
Leia a seguirEnchentes: liberação de FGTS em Maracajá é boato
Publicidade