Motoristas organizam novo protesto contra a manutenção da suspensão do transporte coletivo
Manifestação
De acordo com sindicato, 90% dos profissionais de linhas interestaduais foram demitidos

O Governo de Santa Catarina vai manter a suspensão de funcionamento do transporte coletivo no Estado. O decreto que proíbe a retomada do serviço tem vigência até esta quinta-feira, dia 30, mas será renovado, conforme adiantou o governador Carlos Moisés. Diante da continuidade do impedimento da volta das atividades do setor, motoristas de Criciúma e região se preparam para realizar mais um protesto - semelhante ao ato feito no dia 15 abril.
Entre as reivindicações estarão não só a liberação da circulação dos coletivos, mas uma abertura de diálogo entre o Governo do Estado e os representantes das empresas de ônibus para definição das regras sanitárias necessárias para a volta do trabalho. “Queríamos adotar uma capacidade de apenas 50% em cada ônibus. Também vamos procurar a CDL para tentar alterar o horário do comércio para distribuir melhor os passageiros. Mas o governo não tem nos atendido”, reclamou o presidente do Sindicato dos Motoristas de Criciúma, Clesio Fernandes, o Buba.
A mobilização está sendo organizada via WhatsApp. “Já estamos vendo um apoio do pessoal para realizar o protesto. Estão todos preocupados com empregos e a manifestação deve ocorrer na segunda-feira. Tem motoristas que estamos tendo que ajudar. As empresas que fazem a linha Criciúma a Porto Alegre, por exemplo, demitiram 90% dos motoristas”, alegou.

Os motoristas que trabalham no transporte coletivo intermunicipal e municipal ainda estão em situação mais confortável. A maioria das empresas optaram por aderir a Medida Provisória 936, de 1º de abril de 2020, que trata sobre o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda e dispõe sobre medidas trabalhistas complementares para enfrentamento do estado de calamidade pública.
Por ela as empresas suspendem o contrato de trabalho dos funcionários e paga 30% do salário, sendo os outros 70% pagos pela União. “Mas as suspensões estão ocorrendo por 60 dias, porque as empresas estão na expectativa de voltar. E se não retomar, como fica?”, questionou Buba.
Justificativas do Estado
Em coletiva nessa quarta-feira, dia 29, o governador Carlos Moisés afirmou que o Estado ainda não tem uma “data segura” para a volta do serviço. O secretário de Estado da Saúde, Helton Zeferino, afirmou que o governo ainda estuda não possui um regramento adequado para a retomada das atividades.
“É um espaço de difícil controle e limpeza para que a gente possa manter as segurança das pessoas que ali estão e há dificuldade de afastamentos. Tudo isso, dentro do Estado, é um desafio que nós estamos ainda analisando como isso pode ser realizado. Neste momento ainda não temos segurnaça para regulamentar o transporte coletivo", disse o secretário.



