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MP vai recomendar o retorno do pagamento em dinheiro da tarifa do transporte coletivo de Criciúma

Ministério Público

Caso está sendo tratado pela 7ª Promotoria de Justiça da Comarca de Criciúma

Por Thiago Hockmüller04 de fevereiro de 2022 3 min de leitura
Thiago Hockmüller/Arquivo Engeplus

A Prefeitura de Criciúma deve receber na próxima semana uma recomendação formal do Ministério Público (MP) para que regulamente o retorno do pagamento em dinheiro do transporte coletivo. O caso está sendo tratado pelo promotor da 7ª Promotoria de Justiça da Comarca de Criciúma, Diógenes Viana Alves.

Em entrevista ao Programa João Paulo Messer, da Rádio Eldorado, o promotor explicou que atua em quatro frentes de trabalho para analisar queixas que tem recebido na promotoria do consumidor. “Uma delas é a recusa do pagamento em dinheiro, a outra é a questão da redução dos horários, a terceira e muito significativa é a questão do fechamento do guichê do lado norte do terminal central e a questão mais recente do aumento da tarifa”, explica.

A recusa do pagamento da tarifa em dinheiro foi estabelecida em 2020, como medida de prevenção ao novo coronavírus. Todavia, o promotor explica que o decreto baixado pela prefeitura na última semana torna a medida definitiva, ou seja, não mais como excepcional.

"Esta questão passou pela promotoria em outros momentos e inicialmente entendemos que, em razão do contexto excepcional da pandemia, o Ministério Público deveria contemporizar a situação e preservar as medidas sanitárias que vinham sendo determinadas porque não se sabia a dimensão de todo o problema que envolvia a pandemia. Por conta do decreto publicado na última sexta-feira, tivemos um fato novo. O decreto simplesmente aboliu o mecanismo de pagamento com moeda corrente. Eu concluo desta forma, que para além da questão da pandemia, é colocada como uma política de governo a extinção da possibilidade de pagamento em dinheiro”, pondera.

O promotor garante que esta ação quebra regramentos já estabelecidos, inclusive a nível federal. E por isso foi instaurado um inquérito civil com a pretensão de recomendar na próxima semana que a prefeitura regularize o pagamento em dinheiro.

“O Código de Defesa do Consumidor não permite esta recusa, temos um decreto-lei, de nível federal, que considera contravenção penal a recusa do pagamento de serviços ou produto em moeda corrente, punindo ainda inclusive essa conduta a título de multa. Já instaurei um inquérito civil, pretendo recomendar ao município que trate esta questão de outra forma, que regularize esta questão, e que passe a respeitar o que diz a legislação federal sobre a circulação de moeda corrente nacional. Essa é a primeira providência do Ministério Público, que é trabalhar o convencimento do poder público que ele precisa rever essa conduta e regularizar esta situação”, explica.

Tarifa mais cara

Sobre o reajuste de 14,10% na tarifa, o promotor esclarece que o caso está sendo avaliado pelo MP. E que para isso buscará acesso ao contrato de concessão para analisar a legalidade do aumento. “Vamos obter as informações gerais para poder adotar um posicionamento e aferir se o aumento concedido atende os parâmetros de legalidade. Vamos buscar a íntegra do contrato e ouvir do município as informações que ele tem para podemos formar opinião”, argumenta.

A decisão pelo aumento foi tomada em conjunto entre o Governo do Município e o Conselho Municipal de Transportes. A tarifa não era reajustada desde 2017 e o Paço Municipal alegou busca pelo equilíbrio financeiro das empresas do Sistema Integrado do Transporte Coletivo Urbano de Criciúma, sobretudo em função do prejuízo gerado pela pandemia do novo coronavírus.

O aumento da passagem motivou uma petição on-line contra a medida. Confira a matéria clicando aqui. E abaixo confira a entrevista completa do promotor ao programa João Paulo Messer.

Portal Engeplus · Promotor da 7° Promotoria de Justiça da Comarca de Criciúma, Diógenes Viana Alves

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