Empatizeme

Não é a resposta que ilumina, mas a pergunta

Formular perguntas nos ajuda a organizar nosso pensamento sobre o que não sabemos.

Por Roberta Mânica28 de junho de 2023 3 min de leitura
Shutter Stock

Em tempos de avanços tecnológicos, torna-se cada vez mais importante olhar para o ontológico, ou seja, focar na investigação do ponto de vista filosófico que aborda questões relacionadas ao ser.

Um dos debates que costumo provocar aos meus alunos em sala de aula é sobre como está a nossa capacidade de fazer boas perguntas. A partir da humildade de não saber, estabelecemos relações inéditas e aí reside o nosso diferencial humano.

Estamos no fim do semestre e umas das avaliações que proponho na universidade é que os estudantes entreguem 10 perguntas com as suas respectivas respostas. Inicialmente, eles ficam surpresos, acham engraçado. Muitos subestimam. No entanto, ao longo destes anos tenho observado que um dos motivos pelos quais não chegamos a lugar algum é estarmos fazendo as perguntas erradas.

Por isso, assim como George Carlin, sugiro a todos vocês que não ensinem seus filhos, alunos, sobrinhos e netos somente a ler. Ensinem-os a questionar o que leram. Ensinem-os a questionar tudo.

É preciso retomar a construção de uma linha de conhecimento que possa confrontar a realidade em que vivemos. Isso quer dizer que temos condições de construir boas relações, fazer diferenciações e integrações entre os saberes e nossos repertórios pessoais.

O desenvolvimento das habilidades interpessoais se estrutura também a partir da linguagem e da resiliência – esta capacidade de modificar os sistemas internos para adaptar e transformar problemas e solucionar conflitos.

As perguntas reorganizam os dados. Os critérios de observação, interpretação e bom senso dependem das perguntas.

A energia social só é mobilizada de dentro para fora. O tempo contém uma infinidade de mundos que podemos escolher. Só assim, com profunda consciência e reflexão, compreenderemos a dimensão devastadora desta epidemia da falta de significado que pouco se discute diante de um abismo de conexões superficiais.

“Importante não é ver o que ninguém nunca viu, mas sim, pensar o que ninguém nunca pensou sobre algo que todo mundo vê.” – Schopenhauer

“Não importa o quão inteligente você é a menos que pare e pense.” – Thomas Sowell

“Não tenho nenhum talento especial. Sou apenas apaixonadamente curioso.” – Albert Einstein

“De alguma forma, definimos o objetivo da escolaridade como um modo de estimular mais ‘respostas certas’ do que a pessoa ao lado. E penalizamos as respostas erradas.” Tony Wagner

Sugestão de livros:

Berger, W. (2019). Uma Pergunta mais Bonita: As perguntas dos criadores de Airbnb, Netflix e Google. São Paulo, Goya.

Firestein, S. (2012). Ignorância: como ela Impulsiona a Ciência. São Paulo, Companhia das Letras.

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