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Criciúma

“Não vou falar da vida, eu cansei de sofrer”, afirma morador de rua

Jair Inácio e Marcelo de Souza relatam suas histórias

Por Rafaela Custódio

3 min de leitura

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Foto: Rafaela Custódio

A queda nas temperaturas dos últimos dias em Criciúma reacendeu o debate sobre o cotidiano dos moradores de rua. No intuito de conhecer a história de pessoas que vivem nas ruas, o Portal Engeplus conversou com Marcelo de Souza e Jair Inácio que vivem nas ruas do município.

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“Não usamos drogas, não fizemos mal a ninguém”, afirma Marcelo de Souza, morador de rua em Criciúma. Embaixo da marquise de um prédio no bairro Próspera, Souza em meio à desconfiança, conta sua história. Ao lado dele, Jair Inácio vai relatando o dia a dia da dupla.

Os amigos possuem filhos - Souza tem uma filha e Inácio três. “Tenho um homem e duas mulheres. Uma delas mora em Criciúma e os outros no Paraná. Temos contato, mas ficam me julgando, criticando. Não aguento”, lamenta Inácio.

Ele explica que cuida de carros em um estacionamento no bairro Próspera, com isso, consegue dinheiro para comprar comida. “Não é todo mundo que me dá dinheiro, mas tem gente que me ajuda. Explico minha situação e tem gente que me ajuda e até conversa comigo”, comenta Inácio.

“O dinheiro que recebo compro comida. Tomo café, almoço. Não preciso depender de ninguém, isso é bom”, conta Inácio.

Em meio à desconfiança com a reportagem, Souza em vários momentos negou-se a falar de sua história. Mas aos poucos conta que foi casado há dez anos e, do relacionamento, teve uma filha. “Não a vejo há mais de 20 anos e isso é ruim. Sei onde ela trabalha, mas essa é a realidade”, relata. “Não vou falar da vida, eu cansei de sofrer”, revela Souza.

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Inácio alega que na última semana limpou a pracinha em frente a Igreja Nossa Senhora da Salete, no bairro Próspera, e juntou os lixos. “Juntei toda a sujeira que as pessoas jogam no chão. Mas botei em sacos de lixos e botei ali nas lixeiras e ninguém da prefeitura passou para pegar ainda”, critica.

Sobre as roupas de cama, roupas pessoais, colchões, Inácio relata que deixa guardado na paróquia da Nossa Senhora da Salete, já que todos conhecem ele. "Ganhamos praticamente tudo e por isso cuidamos tanto. Conseguimos nos proteger do frio. Durante o dia nós guardamos", conta.

Solidariedade

Diego Martins Domingos estava passando pelo local quando avistou os dois homens deitados. “Não consigo ver pessoas necessitando de ajuda e não parar. Fui em casa, busquei roupas quentes, passei no restaurante e trouxe marmitas”, detalha.

“Todos precisam ajudar. Deixo de comprar para ajudar os outros, mas, mesmo assim, nunca me falta nada”, comenta.

Domingos conta que é preciso estar disposto para ajudar. “Ainda existem pessoas com bom coração. Todos devem ajudar. Existem histórias por trás deles, é preciso respeitar”, finaliza.

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