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'Negligência não pode ser esquecida', diz autor do livro 'A Explosão da Mina Santana'

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Bruno Mandelli reuniu relatos de sobreviventes e familiares das vítimas da tragédia de 84

Por Jessica Rosso Crepaldi09 de abril de 2021 3 min de leitura
Divulgação

No dia 10 de setembro de 1984, mineiros perderam a vida após uma explosão na mina Plano 2, localizada no Distrito de Santana em Urussanga. O escritor Bruno Mandelli traz em seu novo livro relatos de sobreviventes e familiares das vítimas dessa tragédia. Naquele dia trabalhavam no local, 85 mineiros, mas 31 não voltaram para casa.

O autor conta que em sua pesquisa em mais de 20 jornais, locais, regionais e nacionais, encontrou reportagens que foram publicadas na época, e que isso o ajudou a identificar os sobreviventes. No livro ele traz o relato de cinco mineiros e da viúva de um mineiro que faleceu na explosão, além de um funcionário da Carbonífera Urussanga da época.

O escritor comentou sobre os relatos dos mineiros que mais chamaram a sua atenção. "O resgate dos corpos, porque parecem muito vivas na memória deles as cenas em que eles ajudavam a retirar os corpos lá debaixo e também da viúva do mineiro. Ela contou que faltavam dois meses para ele se aposentar, sendo que ele já tinha se acidentado naquela mina, e por isso ele queria se aposentar logo. Então aconteceu essa tragédia e ele morreu", comentou.

Para o autor do livro, o que não pode ser esquecido daquela época é a negligência. "Na questão da segurança do trabalhador, era muito negligenciado, todos eles falaram isso para mim, por exemplo eles baixavam a mina às 5 horas da manhã só que os técnicos de prevenção de acidentes só desciam às 8 horas, então não era feita a medição dos gases lá de baixo, e a causa da explosão foi o acúmulo do gás metano no subsolo. Além disso, a empresa usava lamparina de carbureto e isso era proibido já, porque tem o risco de acontecer uma explosão. Outra coisa era a questão das dinamites que eram guardadas no subsolo, que acabou potencializando a explosão, eram várias irregularidades", disse o escritor que mencionou ainda a falta de fiscalização na época.

"A Legislação impedia que os sindicatos baixassem a mina para fiscalizar. O período era o último governo da ditadura militar; naquela época bateu o recorde da produção de carvão mineral no país, foram 2 milhões de toneladas de carvão extraídas daqui de Santa Catarina só que o investimento em segurança do trabalhador era muito pequeno, era 1% da receita das empresas", explicou.

A maioria dos sobreviventes não quiseram continuar trabalhando na mina, alguns mudaram de profissão, outros migraram para a cerâmica. "Era menos risco do que na mina", disse ele. Toda a comunidade sofreu um impacto com a notícia na época, e os familiares mais ainda com as perdas. "Porque haviam perdido um chefe de família. O maior número de famílias na época eram sustentadas pelos homens", comentou. Na época foi pago uma indenização para as famílias, num valor equivalente a cinco anos de salário dos mineiros, segundo pesquisado pelo autor do livro. "Valor muito abaixo do que eles deveriam ganhar e sabemos que nenhum dinheiro pode recuperar uma vida', finalizou.

O livro está disponível na Livraria Fátima, na Praça Nereu Ramos, em Criciúma, pelo valor de R$ 40 e através do autor por um custo menor. Interessados podem entrar em contato diretamente com ele pelo WhatSapp: (48) 998231085 .

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