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Nota de

Nota de Falecimento - João Manoel da Rocha, aos 86 anos

Por Redação Engeplus - jornalismo@engeplus.com.br

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Foto: Fotos: Divulgação

Faleceu às 3 horas desta terça-feira o empresário João Manoel da Rocha, aos 86 anos de idade. Ele estava internado no Hospital São José, de Criciúma, há cerca de um mês em decorrência de complicações renais que se agravaram, Rocha teve pneumonia e culminou em parada cardíaca. O velório do comerciante, que era proprietário da Casa Londres, acontece a partir das 9 horas, no cemitério municipal do bairro São Luiz, em Criciúma, com celebração religiosa às 15h30min. Após, o corpo segue para Porto Alegre (RS) para cremação.
João Manoel da Rocha é casado com Alaide, tem quatro filhos Bernadete, Cinéia, Miriam e João Luiz Rocha, nove netos e quatro bisnetos.

"Agradeço de coração a todas a orações dirigidas ao meu pai, Sr. Joao Manoel da Rocha ( o seu Joquinha da Casa Londres ). Deus achou que a missao dele estava concluída e o seu bravo e grande coração parou às 2 horas desta madrugada. Vai deixar uma saudade imensa, mas o seu exmplo permanece intacto em nossos corações cheios de amor por ele. Hoje, neste dia lindo, ele já circula livre e altivo, na paz dos coloridos vales do Senhor...".
Seu filho João Luiz da Rocha


Abaixo, texto escrito pela publicitária Irene Costa, sobre João Manoel da Rocha, enviado ao Portal Engeplus.

João Manoel da Rocha – OFICIAL DE ALFAIATARIA - Arte, Experiência e História.

Do casarão construído no ano de 1933 numa das esquinas da Praça Nereu Ramos surgem muitas histórias que a partir da década de 60 misturam-se com a do alfaiate João Manoel da Rocha, popularmente conhecido como “Seu” Jóquinha. Nascido em Araranguá numa família de nove irmãos
(6 homens e 3 mulheres) Sr. João começou cedo com o disciplinado ofício de alfaiate. No ano de 1953 veio para Criciúma já casado com Alaíde Fernandes (também araranguaense) e com uma filha pequena, Bernadete.
A sua primeira alfaiataria em Criciúma instalou na Próspera de onde chegam grandes lembranças e histórias. De sua clientela da época constam os mineiros, muitos mineiros, profissionais benquistos que encomendavam trajes sob medida principalmente para as populares festas religiosas em honra a São José, Santa Bárbara, Nossa Senhora da Salete e outras. Nos registros de memória está o traje confeccionado para João Kantovitz especialmente encomendado para o seu casamento. Entre amigos e clientes aparece o médico paranaense Everaldo Sabatini, Vilmar Peixoto, Hélio Souza, Hercílio Guimarães entre muitos, muitos outros.
Em seu farto material de arquivo/acervo está a primeira máquina de costura adquirida em Criciúma do patriarca Angeloni Sr. Pedro, quando sr. João ainda trabalhava em sua terra natal Araranguá. Guardada também está à primeira tesoura. O segundo endereço da Alfaiataria Rocha logo viria, quando clientes começaram pressão para que o nobre alfaiate estivesse mais no centro. O ponto firmado foi na rua Cel. Pedro Benedet esquina com Engº Boa Nova (foto). Ali prosseguiu suas funções, ainda com os fiéis clientes da próspera bem como novos que advinham das adjacências movidos por uma já consagrada fama de rigor nos cortes, alinhavos e perfeição de acabamento. Mas as empatias com o centro da cidade de Criciúma já se avizinhavam. Na seqüência a Alfaiataria Rocha instalou-se na Galeria Bristot, recém construída. Ali a Alfaiataria transformava-se no primeiro magazine masculino, comercializando sapatos, camisas, gravatas, acessórios masculinos os tradicionais ternos sob medida, forros, tecidos e até botões, tudo das melhores origens trazidos das viagens a São Paulo que Sr. João fazia regularmente. Os anos corriam até que em 1966 o alfaiate comprou a loja intitulada Casa Londres com todo seu estoque, alugando (na época) as instalações do casarão da Praça Nereu Ramos do comerciante/empresário Algemiro Manique Barreto. Estava selada a história do casarão, tombado pelo patrimônio histórico, com a família Rocha, hoje proprietários. Naquela década os clientes em sua maioria eram colonos que vinham de localidades distantes como Forquilhinha, Sangão, Mãe Luzia etc. e os quais recebiam as mercadorias adquiridas em casa, com a entrega feita pelo carro (foto) que também utilizava um alto-falante para promoções diversas. Eram as primeiras iniciativas do marketing de hoje se estabelecendo. A casa Londres comercializava artigos de cama, mesa, banho e mais tecidos, lingerie, confecções masculinas e femininas, num vai e vem da clientela, muito dos quais rurais e destes alguns que guardam fidelidade ao estabelecimento comercial até hoje.
A Casa Londres ano 2008 está completando 42 anos, mas a Alfaiataria Rocha precursora de toda essa feliz caminhada profissional já contabiliza mais de meio século. Hoje é mister que se comemore aniversário de tão vitoriosa iniciativa que não passe desconhecido ou despercebido esses artistas em extinção, para que gerações mais recentes não ignorem fatos de que houve um tempo em que os homens vestiam sob medida, com provas de duas, três vezes para que se assentasse bem as costuras. Mais que isso o abraço a João M. da Rocha e seus filhos Bernadete, Cinéia, João Luiz e Miriam pelo exemplo disciplinar, idôneo e singular que perdura atravessando gerações, enfrentando épocas difíceis de desmandos e falcatruas fazendo vingar feliz o tinir das taças entre os mais merecidos brindes do comércio de Criciúma. Valeu! e como Valeu!!!
Parabéns Casa Londres!


Irene Godoy Costa (publicitária)

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