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Nova usina deve mudar futuro ambiental da região carbonífera com tecnologia de pirólise

Economia circular

Projeto de R$ 12 milhões quer reduzir pressão nos aterros e gerar biocombustível na Amrec

Por Rafaela Custódio27 de novembro de 2025 4 min de leitura
Freepik/IMAGEM ILUSTRATIVA

O Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Região Carbonífera (CIM-AMREC) avança nas tratativas para a instalação de uma nova usina destinada ao processamento de resíduos sólidos por meio de pirólise. A iniciativa foi detalhada pelo coordenador da Zona Territorial Estratégica para o Desenvolvimento Sustentável (ZOTEDS), Fernando Barbosa dos Santos, em entrevista ao Portal Engeplus. Ele destacou o caráter inovador do projeto e sua importância para o futuro ambiental e econômico da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (AMREC).

O coordenador da Zoteds explicou que a principal característica da usina é o processo da pirólise (decomposição térmica na ausência ou deficiência de oxigênio). “Ela serve para automaticamente condensar e fazer tipo um plasma dos resíduos que entram no local e nesse processo químico sai o gás, sai o biocombustível e também sai o biocarvão, sendo um tipo de fertilizante que vai para a agricultura e serve para áreas de recuperação, que nós vamos utilizar na questão da recuperação do rio Mãe Luzia, por exemplo, e do rio Urussanga”, comentou.

Ele acrescenta que o processo inclui um centro de triagem e uma área de pirólise projetada para evitar perdas de resíduos, tornando a usina pioneira na região. A definição do local ainda está em análise. “Estamos analisando na região de Forquilhinha ou em Cocal do Sul. Vamos instalar a primeira para começar a fazer a utilização e a gestão dos resíduos sólidos, tirar a pressão em cima dos aterros,” afirmou. Ele reforça que ambos os aterros regionais já apresentam sinais de esgotamento para o futuro.

O projeto prevê um planejamento até 2045. “Vamos instalar a primeira, buscaremos recursos, mas também a partir desse processo da própria autossuficiência financeira da usina, construir mais duas usinas na nossa região para ter uma cobertura total entre os municípios e a população”, destacou.

A usina deve processar desde pneus de veículos leves e pesados até eletrônicos e diversos tipos de plástico, transformando-os em óleo biocombustível, carvão e outros subprodutos. “A ideia é que os próprios municípios também entrem nesse ciclo e usem esse combustível nas suas frotas, nas suas máquinas, a usina nossa de asfalto também vai utilizar esse óleo, vai ser um ciclo fechado na nossa região, de economia circular,” explicou.

Entre os benefícios ambientais, ele destaca a redução significativa de emissões. “Nós vamos estar eliminando emissões de gases do efeito estufa, porque o próprio processo da usina, ela não comete emissões de gases do efeito estufa, ela vai tirar também a possibilidade do chorume, do metano, dos aterros sanitários cada vez mais aumentar”, frisou.

A iniciativa, segundo ele, faz parte de uma política intermunicipal promovida pelo CIM-AMREC. “Nós temos uma integração muito forte, uma questão de inteligência territorial e essa usina é muito importante para a região. No dia 12 de dezembro, às 13h30, na sede da Acic, faremos uma audiência pública, que pretendemos contar com o governador Jorginho Mello e também com deputados estaduais e federais, além de políticos regionais para tratarmos do assunto”, comentou.

O investimento estimado é de R$ 12 milhões. “O que nós vamos fazer nessa audiência pública é solicitar o investimento e a parceria do governo do estado e também dos deputados federais e estaduais, porque é de extrema importância termos esta usina na região", afirmou.

O processamento abrangerá materiais variados. “O lixo comum vai para lá, o plástico, menos o orgânico e a madeira. O alumínio sai já pronto para demanda e ele também entra nesse processo e gera todos esses produtos, o carvão e aí sucessivamente. Então, a gama é muito grande e a máquina é muito versátil,” detalhou.

Ao tratar da importância ambiental, Fernando reforça os riscos do modelo atual de aterros. “Hoje a gente sabe que os atendimentos sanitários, mesmo com todo o processo, o mais desenvolvido possível, ele impacta no meio ambiente. É uma situação que requer um planejamento a curto, médio e longo prazo e a maioria dos municípios hoje não tem essa integração”, observou.

O coordenador da Zoteds comentou sobre a importância da usina para o meio ambiente. “Ter um local que a gente sabe que vai ter o aproveitamento 100% do resíduo, não liberando o dióxido de carbono vai ser de extrema importância. E aí, nesse processo também, o CIM-AMREC vai fazer uma questão de educação ambiental muito forte para demonstrar que a economia circular é possível”, pontuou.

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