Novo assoreamento da Barra do Camacho preocupa pescadores e acende alerta para impactos do El Niño
Atenção
Canal que liga lagoa ao mar está mais uma vez com a presenção de areia acumulada

Pescadores estão mais uma vez preocupados com o assoreamento da Barra do Camacho, em Jaguaruna. Em 2022, o canal foi reaberto após um investimento de R$ 10 milhões com a realização trabalhos de dragagem e enrocamento (colocação de pedras às margens do canal), mas já há pontos onde há novo acúmulo de areia.
A aflição dos pescadores tem dois fundamentos. O primeiro é o impacto do assoreamento na reprodução dos peixes na Lagoa de Jaguaruna, prejudicando a pesca no canal. O segundo é que a região é o ponto de deságue da água da chuva no mar de, pelo menos, cinco municípios vizinhos e há previsão de chuvas intensas nos próximos meses por conta do El Niño.
“O molhe que foi construído na ponta do canal dentro do mar ficou menor do que o original. Com isso, quando há vento sul, o mar coloca areia para dentro do canal. A lagoa não possui correnteza forte o suficiente para expulsar e está se formando um banco de areia”, explicou Jaime Mariano Porto, o Pitbull, presidente de Associação de Pescadores de Garopaba Sul.
Um post compartilhado por ?????????? & ???????? (@pescartesc)
Prevenção de alagamentos
Estima-se que 2 mil famílias sobrevivam da pesca artesanal na região. O acúmulo de areia, impede a circulação de peixes que adentram na lagoa para a reprodução. “E tem a questão do El Ninõ. Toda a água da chuva da região acaba indo para a Barra do Camacho. Com aquele banco de areia na saída do canal para o mar, o escoamento vai ficar prejudicado e, consequentemente, poderá ter alagamentos”, alertou Pitbull.
Por isso representantes de municípios da região estão envolvidos na causa. O vereador de Tubarão, Gelson Bento, é um dos que acompanha o assunto. Ele reforça a importância da Barra do Camacho para a prevenção de alagamentos na região. O parlamentar recorda que em 1974 a barra teve que ser aberta com dinamites para fazer o escoamento de uma das maiores enchentes registradas em Tubarão na história.
Leia também:
Urussanga transfere a Festa do Vinho após confirmação do fenômeno Super El Niño
Após outono frio e seco, inverno inicia com chance de neve na Serra catarinense
Dois projetos foram elaborados pela Associação dos Municípios da Região de Laguna (Amurel) que prometem solucionar o problema de assoreamento. O primeiro deles estabelecia a reconstrução dos molhes e a retirada da areia do canal, o que foi executado em 2022. Agora o objetivo é avançar com o segundo projeto, que é a ampliação dos molhes.
“Do jeito que está as ondas quebram no começo do canal e jogam areia para dentro. Do jeito que está, precisa de uma nova redragagem urgente, principalmente por conta do El Niño. Precisamos de envolvimento neste processo das prefeituras e câmaras de vereadores de Jaguaruna, Laguna e Tubarão. Precisamos do escoamento da bacia do rio Tubarão para evitar possíveis inundações”, destacou o vereador.
Ele informou que a Câmara de Vereadores de Tubarão encaminhará um ofício à Amurel para que seja feita a revisão dos valores de execução do projeto de extensão dos molhes.



