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Novo protesto marca cobrança por resposta para morte de bebês no Hospital Materno-Infantil Santa Catarina

Criciúma

Familiares e Conselho Municipal de Saúde realizam ato na manhã desta quinta-feira

Por Thiago Hockmüller04 de outubro de 2023 5 min de leitura
Thiago Hockmüller/Arquivo Engeplus

Apoiados pelo Conselho Municipal de Saúde, familiares de bebês mortos ou sequelados após internação no Hospital Materno-Infantil Santa Catarina (Hmisc) realizam novo protesto na manhã desta quinta-feira, dia 5, em frente à instituição, no bairro Operária Nova, em Criciúma. O ato acontece a partir das 9 horas.

O movimento busca respostas junto ao Instituto de desenvolvimento, ensino e assistência à saúde (Ideas), órgão privado que administra o hospital. Julio Zavadil, presidente do Conselho Municipal de Saúde, afirma que as mães seguem sem entender o motivo das mortes e algumas alegaram não ter tido acesso aos prontuários.

“Será um protesto pacífico onde as mães vão levar camisetas com foto dos bebês que faleceram e dos que estão com sequelas. Foram providenciadas faixas e cartazes por conta delas. É um protesto que estamos juntos para organizar, onde elas querem expôr o que está acontecendo. Estamos juntos para ter informações fortes e contundentes em relação a tudo que está acontecendo”, afirma.

De acordo com Zavadil, aconteceu uma reunião virtual na segunda-feira, dia 2, porém sem participação de representantes do Ministério Público (MP), do Comitê de Mortalidade Infantil e do Governo do Estado, todos previamente convidados.

“Queremos provocar o MP que não se fez presente na reunião, para que seja mais ágil e possa trabalhar no sentido de apurar estes fatos todos. Foram convidados, assim como o Governo do Estado e o Comitê de Mortalidade Infantil, mas nenhum apareceu. O Ideias participou, mas não justificou nada e não resolveu nada”, lamenta o presidente do conselho.

O Hmisc é extremamente importante e o nosso papel é preservar o hospital e o papel que ele representa para a nossa região e estado. Nossa crítica é em cima da administração privada, que segundo as mães e pessoas que utilizam, não está dando respaldo na questão de respeito e humanização. Que os questionamentos sejam respondidos e os familiares possam saber se o que ocorreu foi evitável ou não. Elas tem laudos, mas muitas não tem prontuários médicos.

Julio Zavadil, presidente do Conselho Municipal de Saúde
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Questionamentos sem respostas

No último dia 26, o diretor-geral do Hmisc, César Augusto de Magalhães, usou a tribuna da Câmara de Vereadores e afirmou que não pode dar detalhes sobre os prontuários médicos, usando como argumento a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo o Conselho Municipal de Saúde, a diretoria do hospital marcou para o dia 10 nova reunião, porém solicitou a participação de apenas quatro dos oito conselheiros

“Só que uma fiscalização não pode ser planejada com data passada pela pessoa que está sendo fiscalizada. Quem tem que deliberar é o próprio agente fiscalizador para dizer a data e chegar lá na hora que entende ser adequada. Nossa resposta é que somos órgão fiscalizador e para começo de conversa nossa comissão de ouvidoria é formada por oito conselheiros e disseram que só vão entrar quatro. Essa não é forma democrática e respeitosa de tratar o conselho e a fiscalização”, reclama Zavadil.


Diretor do Hmisc foi ouvido durante sessão na Câmara de Vereadores. (Foto: Divulgação/Câmara de Vereadores de Criciúma)

O presidente do conselho também lamenta a postura do hospital. De acordo com ele, a falta de humanização é exemplificada por relatos de mães que alegaram pouca sensibilidade da instituição após a perda de seus filhos.

“Entendemos que pode haver mortes, mas tem que ser inevitáveis. Pelos relatos das mães, queremos saber o que acontece que a criança chega brincando e na mesma tarde sai no caixão. Esperamos que o hospital mude o seu posicionamento. Que a gestão mude e coloque o número de profissionais necessários para atender e evitar esse tipo de coisa. Que dê estrutura e condições”, afirma.

Que possa haver humanização da parte médica do hospital. Precisamos que não digam pras mães que elas têm condições de ter outro filho. Que morreu um, mas pode engravidar de novo, isso não é oportuno. Queremos a possibilidade do conselho fazer o que está tentando há dois anos, que é mensalmente estar no hospital, reunindo e conversando com os profissionais e visitando o espaço. Queremos a condição de fiscalizar constantemente o hospital, não quando eles querem, mas quando o conselho entende necessário.

Julio Zavadil, presidente do Conselho Municipal de Saúde
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Entenda o caso

A morte de bebês pacientes do Hospital Materno-Infantil Santa Catarina (Hmisc), em Criciúma, gerou protestos no dia 21 de setembro, sobretudo pela falta de respostas da administração do hospital, realizada pelo Instituto de desenvolvimento, ensino e assistência à saúde (Ideas). A manifestação teve participação do Conselho Municipal de Saúde de Criciúma e de mães dos bebês que morreram enquanto estavam internados no hospital ou que ficaram com sequelas após a internação.

Milene Lacerda é a advogada que está representando algumas das mães que procuraram o escritório. De acordo com ela, de início eram cinco casos envolvendo a morte de bebês - um deles aconteceu há cinco anos e os demais são todos recentes. “E as duas com sequelas as mães não conseguem trabalhar, então é preciso que o hospital dê o suporte”, explicou ao Portal Engeplus.

Representantes do Hospital Materno-Infantil Santa Catarina (Hmisc) se pronunciaram por meio de nota, mas não deram explicações para os casos apontados pela advogada e pelo Conselho Municipal de Saúde. No dia 26 de setembro, o Hmisc e representantes da Secretaria de Saúde de Criciúma e da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina utilizaram o espaço da Tribuna Livre da Câmara de Vereadores de Criciúma, mas os familiares ainda buscam respostas.

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