O caminho de quem se importa com o outro é legítimo
A comunicação deveria ser abordada nos currículos em todos os níveis de formação

Diferente do que o senso comum compreende, a competência comunicacional não é inata e pode ser desenvolvida.
A maneira como respondemos e reagimos aos estímulos externos, agressões ou até elogios, é a nossa identidade, a nossa marca pessoal. Felizmente, há um espaço que nos permite sair do automático, resgatar a humanidade da nossa intenção e fazer a diferença. Neste lugar, reside a comunicação empática.
Em tempos de excesso de informação e exposição, o psicanalista e professor do Instituto de Psicologia da USP, Christian Dunker pontua que a habilidade socioemocional que abre caminho para todas as outras é a escuta.
Além da emissão responsável, ética e objetiva de mensagens, o ato de se comunicar implica principalmente, escutar de forma acolhedora, empática e atenta.
O caminho de quem se importa com o outro é legítimo.
Relevante destacar que a comunicação faz parte das cinco competências gerais estabelecidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para os cursos da área da saúde. Pelo seu caráter transversal, a comunicação deveria ser abordada nos currículos em todos os níveis de formação.
O relatório do Fórum Econômico Mundial (2022), o Future of Jobs, indica que a comunicação é um dos 15 saberes essenciais para a formação do profissional do futuro - uma espécie de “power skill” obrigatória para a autogestão e a capacidade para trabalhar com pessoas.
É possível treinar, aperfeiçoar e avaliar como nos comunicamos. Observar o progresso e situar a maneira como nos colocamos diante das relações, principalmente nas mais íntimas, com aquelas pessoas que estão ao nosso lado nas trincheiras da vida. Como dizia Rubem Alves, “é na escuta que o amor começa. E é não escuta que ele termina.”



