O desastre ambiental no Rio Grande do Sul
É preciso ensinar aos nossos filhos sobre o impacto das pequenas ações no ecossistema

Estão sendo dias de silêncio, lágrimas e uma nostalgia do cotidiano diluído sob a força das águas da chuva. A complexidade do que vivemos no Rio Grande do Sul envolve muitas camadas de dor. A reconstrução levará tempo e as cicatrizes serão eternas.
Imagine a situação. Um dia você acorda, abre a janela e em seguida, o que resta são apenas os recortes de uma vida que já não existe mais.
Os avisos sobre a crise climática e suas consequências, embora repetidos e formalizados em relatórios, são ignorados na prática.
O que nos resta fazer agora, diante do caos? Como desviar desta sensação de impotência?
Neste momento (24 de maio), enquanto escrevo, uma chuva torrencial cai em Porto Alegre. Ventos fortes transformam o Guaíba em um mar com ondas assustadoras que ameaçam romper limites de seus contornos.
Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o volume de chuva em 15 horas ultrapassou os 100 milímetros na Zona Sul da Capital. Nunca choveu tanto em Porto Alegre como em maio de 2024.
É um pesadelo sentir o frio que chega com cerca de 581.643 pessoas desalojadas; 65.762 em abrigos, somando 2.342.460 de vidas afetadas nos 469 municípios gaúchos que sofrem com a destruição.
O Brasil e o mundo dão exemplo de solidariedade, com estados mobilizados, profissionais e voluntários incansáveis que não medem esforços. Resgates emocionantes, exemplos de cidadania que enchem o coração de orgulho.
Por outro lado, observamos pessoas que se vestem da caridade para o benefício próprio e que se sobressaem com a falta de responsabilidade coletiva.
Por isso, há uma convocação para todos que sentem a angústia e a ansiedade deste momento.
Priorize o seu tempo e a sua energia em ajudar. Se não puder doar, faça uma oração. Se tem condições, seja voluntário e sinta na própria pele o que é estar na linha de frente de um desastre desta proporção.
Caso não seja possível fazer algo prático, não espalhe notícias falsas, não dissemine o ódio e a discórdia. Antes de qualquer compartilhamento de informação, se questione como isso pode ajudar quem realmente precisa da sua mobilização.
Independente da sua crença, se conecte com as palavras de São Francisco de Assis “onde houver trevas, que eu leve a luz”, e sinta a esperança chegando em seus pulmões com a força que as melhores intenções tem para iluminar a escuridão.
Um desastre desta proporção indica que já passou da hora de refletir sobre a nossa relação com a natureza. É preciso ensinar aos nossos filhos sobre o impacto que as pequenas ações podem causar em todo um ecossistema.
A nós, adultos conscientes do compromisso ético com a continuidade da vida, cabe eleger representantes que tenham como prioridade a pauta ambiental.
O futuro é aqui e agora.
“Tem gente doando dinheiro.
Tem gente doando tempo.
Tem gente doando palavras de conforto.
Tem gente doando roupas e itens essenciais.
Tem gente dando visibilidade ao Rio Grande do Sul.
Nem tudo se baseia em dinheiro. Qualquer ajuda importa.”



