O destino não lugares, são pessoas
Estamos vivos, porque estamos em movimento

Sou uma profissional que viajo para trabalhar há mais de 15 anos. Por isso, costumo dizer repetidamente aos meus alunos que o objetivo da nossa jornada e o destino de nossas andanças por este mundo não lugares, mas sim as pessoas que encontramos.
O cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler diz em seus versos que estamos vivos porque estamos em movimento.
Assim tem sido as últimas semanas do Empatizeme. Um movimento intenso de milhares de quilômetros rodados e encontros transformadores.
É gratificante caminhar e encontrar instituições que estão cada vez mais alinhadas na busca pela excelência dos relacionamentos interpessoais. Quando falamos da área da saúde, o olhar é ainda mais cuidadoso em função da complexidade que envolve os processos entre os seus respectivos públicos.
Gostaria de compartilhar com vocês a emoção e a honra de fazer parte das celebrações dos 176 anos da Santa Casa de Pelotas, no Rio Grande do Sul.
Palestrar sobre comunicação empática para uma equipe multidisciplinar de saúde é sempre especial, desafiador e exige muito preparo. Ao entrar nas instalações do hospital, meus passos ecoavam pelos corredores, enquanto meus pensamentos fervilhavam com a esperança de tocar as almas daqueles que dedicam suas vidas ao cuidado dos outros.
Sabia que diante de mim estavam profissionais comprometidos, cada um com suas próprias histórias e experiências únicas. Era uma equipe fantástica e atenta, composta por médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e outros especialistas.
Respirei fundo, consciente da responsabilidade que recaía sobre meus ombros. Comecei a compartilhar minha jornada pessoal, destacando momentos em que a comunicação empática conduziu a minha longa e delicada condição como paciente, transcendendo palavras e estabelecendo uma conexão profunda.
Contei histórias, falamos sobre pesquisas, protocolos nacionais e internacionais que comprovam a relevância de desenvolver a comunicação. Definimos conceitos e o mais significativo, ouvi atentamente os relatos.
Enfatizei a importância da saúde mental, de estar presente e oferecer suporte emocional, mesmo quando as palavras falham. A comunicação empática é uma linguagem universal que transcende barreiras e hierarquias, nutrindo o espírito colaborativo e o respeito mútuo.
Durante a palestra, a atmosfera na sala se transformou. O silêncio foi preenchido com suspiros, lágrimas discretas e olhares de identificação. Era como se algo mágico estivesse acontecendo, como se uma chama de compaixão estivesse se acendendo em cada coração ali presente.
Ao sair da Santa Casa de Pelotas naquele dia, meu coração estava repleto de gratidão e esperança. Sabia que tinha cumprido a missão de transmitir a essência da comunicação empática. E, acima de tudo, testemunhei o poder inspirador de compartilhar experiências e construir um caminho para relações mais significativas no âmbito da saúde.
Que venham os próximos quilômetros. Como aprendi com o mestre Mario Quintana, "eu não tenho paredes, apenas horizontes".



