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‘O fato de receber dinheiro público não empresta natureza pública ao órgão’, afirma advogado da Afasc

Criciúma

Professores da instituição estão em estado de greve

Por Rafaela Custódio28 de abril de 2026 3 min de leitura
Arquivo/Comunicação Afasc/Ilustrativa

O posicionamento do setor jurídico da Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc) segue sendo de que o piso do magistério público não se aplica aos mais de mil professores da instituição. Na noite dessa segunda-feira, dia 27, mais de 450 docentes participaram de uma assembleia e optaram pelo estado de greve. Com isso, o Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino da Região Sul de Santa Catarina (STEERSESC) deverá notificar a Afasc.

“O posicionamento da direção da Afasc é no sentido de que o piso do magistério público não se aplica às instituições de natureza eminentemente privada. Imagine o seguinte: o município contrata seis mil vagas e paga por essas seis mil vagas. Assim como contrata um quilômetro de asfalto e paga por esse serviço. Assim como compra gasolina e paga por ela. Nem o posto de gasolina, nem a empresa do asfalto e nem a Afasc são públicos. O fato de receber dinheiro público não empresta natureza pública ao órgão”, afirmou o advogado Alexandre Barcelos João, responsável jurídico da Afasc, em entrevista ao Portal Engeplus.

Conforme o advogado, a lei sobre o piso do magistério público está sujeita a três condições para a equiparação no ensino infantil. “Primeiro: o empregador precisa ser um órgão público. Segundo: o piso do magistério se limita à função de docência. Portanto, quem não está nessa função não recebe, embora atue em escolas, CEIs ou universidades. Terceiro: é necessária a aprovação em concurso público. Esse é o texto da Lei 15.326, que trata do piso e dessa equiparação. É uma lei de 2026, aprovada recentemente, e que é objeto desta discussão”, observou.

Após receber a notificação, o advogado explica os próximos passos. “Em princípio, eles vão nos dar um prazo para o início da greve. A nossa proposta é que não haja paralisação, já que o problema é jurídico. Que as atividades continuem sendo prestadas normalmente, para que a população não seja prejudicada, para que os pais não tenham que enfrentar transtornos e que as crianças continuem sendo atendidas. E que a gente discuta isso no Tribunal Regional do Trabalho (TRT)”, destacou.

“Eu acredito que, no final das contas, vai prevalecer o bom senso. Será preciso fazer contas e verificar que, entre a proposta e a possibilidade, há uma diferença muito grande. Os 2% seriam para viabilizar um acordo extrajudicial e formalizar isso. Nós não temos esse recurso em tese, quem vai decidir é o tribunal. Neste momento, havia a possibilidade de avançar nessa proposta de 2%, mas não houve aceitação. Para nós, esse percentual não atende. Então, hoje, como a situação saiu do nosso controle, nem mesmo esses 2% podemos garantir”, concluiu.

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