Empatizeme

O preço da felicidade

O ritmo de vida sem pausas aproximou o conceito de sucesso e felicidade

Por Roberta Mânica17 de março de 2023 3 min de leitura

O desenvolvimento social estimulou a produtividade e a colocou como prioridade. Vivemos apressados, com a respiração ofegante. Entramos e saímos dos lugares distraídos. Aos poucos, estar ocupado e fazer muitas tarefas ao mesmo tempo ganhou status e reconhecimento. O ritmo de vida sem pausas aproximou o conceito de sucesso e felicidade.

Esta automatização do cotidiano tem cobrado um preço alto para a manutenção da saúde mental. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que o Brasil possui a população com os maiores índices de transtornos de ansiedade do mundo.

Mas afinal, o que desejamos em meio ao tempo que escorre entre os dedos? Onde está a felicidade que buscamos?

Ser feliz passou a ser um concorrido produto vendido com manuais e receitas pré-determinadas. O escritor espanhol Baltasar Grácian dizia que se todos os mortais estão em busca de felicidade, é um sinal de que nenhum deles é plenamente feliz.

Sobre o caminho para a felicidade, pesquisadores de Harvard desenvolveram um relevante estudo que levou 85 anos para ser finalizado. O objetivo era identificar o que traz felicidade para a vida. Nesta pesquisa histórica, reuniram registros de saúde de 724 participantes de todo o mundo, desde 1938, e fizeram perguntas sobre suas experiências com um intervalo de dois anos.

O resultado indicou que são os relacionamentos saudáveis que mantêm as pessoas felizes, lúcidas, serenas e possibilitam manter a qualidade de vida e o equilíbrio da saúde mental. Diferente do que se imagina a respeito das ambições que mais exigem e consomem tempo e dedicação nesta frágil e finita jornada, não é a carreira, o dinheiro, exercícios ou uma dieta saudável que nos levarão ao tesouro no fim do arco-íris.

Tão desejada e idealizada, a felicidade está na simplicidade, nos afetos genuínos, na mão generosa que acolhe e compreende. A pesquisa comprova que é preciso retomar à fonte dos nossos sentidos primitivos. Somos seres sociais. Além dos debates sobre a inovação tecnológica, é urgente o resgate da nossa humanidade.

“Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança. Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade. Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for. E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.” (Lya Luft)

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