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O que diz o inquérito que não apontou culpados na queda do balão em Praia Grande?
Portal Engeplus teve acesso à sintese do parecer do delegado Rafel Chiara

Por Lucas Renan Domingos - lucas.domingos@engeplus.com.br
3 min de leitura

A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a queda de um balão de ar quente em 21 de junho de 2025, no município de Praia Grande, Sul de Santa Catarina. Após a análise dos fatos, o delegado responsável pelas investigações, Rafael Chiara, encaminhou o relatório para o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) sem apontar culpados. O Portal Engeplus teve acesso à síntese do parecer.
A aeronave pegou fogo em pleno voo. Estavam a bordo, além do piloto Elves de Bem Crescêncio, outras 20 pessoas. Ele e mais 12 passageiros sobreviveram. Oito pessoas morreram. Quatro delas se jogaram do balão ainda no alto e outras quatro foram encontradas dentro do cesto, carbonizadas.
Para elaborar a sua decisão, Chiara se baseou em laudos de necrópsia, da identificação das vítimas, de criminalística e de engenharia, e até em análise da parte de um óculos de sol que poderia ter gravado cenas da queda do balão. Foram analisados vídeos e imagens do acidente, documentos de autoridades aeronáuticas e depoimentos de sobreviventes, testemunhas e de representantes das empresas fabricantes do balão e do extintor.

O principal objetivo do inquérito foi apontar as causas do acidente e verificar se houve ação humana culposa (sem intenção ou negligência) ou dolosa (com intenção ou assumindo risco). Os investigadores apuraram as condições e como foi encontrado o maçarico auxiliar que estava no cesto.
A Polícia Científica levantou seis hipóteses do que poderia ter provocado o fogo, mas somente uma delas demonstrou a possibilidade do incêndio. A perícia apontou que as chamas começaram na capa de um dos cilindros do balão, um material resistente por fora, mas com espumas por dentro. O material, ao ser queimado, pode propagar o fogo rapidamente.
Havia no cesto, o maçarico. O material é utilizado para reascender a chama principal da aeronave, caso ela se apague. O piloto relatou que viu o fogo na parte inferior da capa dos cilindros e jogou o maçarico fora. Ele também tentou retirar um dos cilindros de dentro do balão.
O laudo identificou que as chamas não iniciaram no cilindro e, sim, de um fogo externo, mas não conclui que foi o maçarico o causador. O objeto foi encontrado por uma pessoa e deixado na caçamba de um veículo e só um dia depois entregue para a polícia com a válvula de gás em posição aberta. Nesse intervalo, opinou o delegado, perdeu-se a cadeia de custódia. Sendo assim, ficou impossibilitado de afirmar que o maçarico estava nas mesmas condições de quando estava no cesto, já que pode ter sido manipulado por terceiros.
Não foi possível também apresentar provas de que, caso tenha sido o maçarico o causador do acidente, houve conduta do piloto que pudesse incriminá-lo. Chiara relata que ninguém viu Crescêncio manipulando o objeto e não há imagens que demonstre que ele tenha utilizado o maçarico (toda a decolagem foi filmada). Dessa forma, na avaliação do delegado, não há prova de ação humana que pudesse ter provocado o fogo na capa do cilindro.
O inquérito será encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina, que analisará se arquivará as investigações ou apresentará denúncia ao Poder Judiciário. A defesa do piloto foi procurada e optou por não se manifestar enquanto o processo estiver em sigilo.



