Meio ambiente
O reflexo dos minerais no cotidiano e a recuperação ambiental em pauta no município de Treviso
Professores passam por curso e visitam amanhã parte dos 118 hectares recuperados pelo CPRM
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Com uma economia voltada para a extração de carvão, a cidade de Treviso vem convivendo com o impacto positivo deste setor. O município recebeu do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), em novembro do ano passado, 118 hectares de áreas recuperadas em um investimento da União que ultrapassou R$ 53 milhões.
Durante toda esta terça-feira, dia 4, professores da rede pública de ensino estiveram reunidos para entender mais sobre o assunto e conhecer a importância dos minerais no cotidiano. A intenção, claro, é replicar estas informações, de forma interativa e pedagógica, nas salas de aula. “Os professores são multiplicadores, formadores de opinião. É importante eles estarem atualizados e informados do que está acontecendo. Por meio das crianças e jovens na escola, a informação circula em toda a comunidade e chega nas casas das pessoas. Todos se beneficiam com isso”, afirma a geóloga do CPRM, Andréa Sander.
Palestra foi ministrada pela geóloga do CPRM, Andréa Sander. (Fotos: Thiago Hockmüller)

É importante para uma cidade que cresceu pela mineração construir uma agenda positiva para os bens minerais. A mineração não é só impacto, não é só degradação, não é só acidentes ambientais. Se realizada com responsabilidade e cuidado, ela é crescimento, economia e tudo isso traz emprego e benefício social.
Andréa Sander, geóloga a do Serviço Geológico do Brasil
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Segundo informado pelo CPRM, os R$ 53 milhões investidos para a recuperação ambiental, a pedido do Ministério Público e realizado pelo próprio órgão, financiou uma série de obras para reconstituição da topografia, remoção total de rejeitos em Áreas de Preservação Permanente (APP), implantação da cobertura seca das áreas, sistema de drenagem e implantação de solo com plantio de vegetação e mata ciliar nas margens dos rios Pio e Mãe Luzia.
Ainda conforme o CPRM, esta foi a segunda área finalizada do projeto pelo qual a estimativa é reabilitar mais de 1.100 hectares de áreas degradadas pela mineração do carvão. E mais de mil quilômetros de recursos hídricos impactados pela drenagem ácida de minas.
“A intenção é devolver para a população o trabalho de recuperação ambiental realizado nestas áreas degradas, que foi uma demanda do Ministério Pulico e o Serviço Geológico do Brasil assumiu estas áreas. Algumas das empresas nem existem mais e foi feita essa recuperação ambiental”, pondera Andréa.
Cerca de 50 professores participaram do evento ao longo desta terça-feira.

Professores em ação
Durante a manhã, no Auditório Municipal Vilson Savaris, cerca de 50 professores participaram da palestra ministrada pela geóloga do CPRM, como parte do Projeto de Educação Ambiental referente a ação de Recuperação Ambiental da Bacia Carbonífera de Santa Catarina. Puderam tocar em minerais extraídos Brasil afora, inclusive ali mesmo em Treviso.
Para cada mineral citado, um exemplo da sua aplicação também era recebido com atenção pelos docentes. Aliás, cada um recebeu uma caixa com vários deste minerais para realizarem a mesma prática com os alunos.
É um curso de atualização em geociências, trazendo informações da geologia da região, como se comporta a região, sobretudo a degradada, além de conceitos básicos. Nos cursos de geografia, história e biologia, a geociências não ocupa um papel central. Temos que conviver com a mineração e reduzir o impacto.
Andréa Sander, geóloga a do Serviço Geológico do Brasil
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Para a secretária de Educação do município de Treviso, Juliana Salvador, esta é a oportunidade para que crianças e adolescentes entendam como o trabalho de seus pais, aqueles ligados a mineração, reflete na prática. Treviso conta com cerca de 640 alunos distribuídos em três escolas da rede municipal e uma estadual.
“Contamos com parcerias da Secretaria de Educação e a Funtrev (Fundação Municipal do Meio Ambiente). Nada melhor que reunir os professores para repassarem o conhecimento aos alunos. Muitas vezes o aluno não tem entendimento que a degradação aconteceu, mas no mesmo momento existe um órgão responsável pela recuperação”, pondera.
O Projeto de Educação Ambiental é piloto e deve se estender a todos os municípios da região Carbonífera inseridos neste contexto da extração do carvão. Durante a quarta-feira, dia 5, os professores também participarão de uma visita nas áreas recuperadas.
“Ser contra a mineração é um erro. O Brasil é um país de matriz de economia primária. A agricultura e a mineração são muito importantes. O impacto da mineração é menor que o da agricultura. Uma mina é menor que uma lavoura de soja, por exemplo. Se for feito dentro das regras estabelecidas pelos órgãos de meio ambiente, o impacto será menor. Não existe atividade sem impacto”, reflete a geóloga Andréa.
Em junho, a programação de palestras e visitas nas áreas recuperadas será direcionada aos alunos.



