O silêncio que despertou uma vocação: a trajetória de monsenhor Milton Zonta
Celebração
Ordenação episcopal do bispo coadjutor da Diocese de Criciúma será neste sábado, dia 21

“Lembro de um missionário que veio até uma igreja de madeira onde eu participava, se ajoelhou lá na frente e ficou em silêncio…e nós ficamos observando aquilo e essa imagem ficou comigo. Não sei se despertou em mim a mística, a espiritualidade, porque é uma dimensão importante da nossa vida e que eu admiro muito”.
A lembrança do monsenhor Milton Zonta na semana de sua ordenação episcopal remete ao início do chamado que sentiu no coração para servir dentro da igreja católica. A celebração do bispo coadjutor da Diocese de Criciúma será neste sábado, dia 21, às 9 horas, na Basílica Santuário Sagrado Coração Misericordioso de Jesus, em Içara.
A caminhada de Zonta na vida religiosa teve início aos 15 anos. Natural de Videira, o religioso recorda que o interesse para ingressar ao seminário foi ainda quando adolescente. Porém, na primeira tentativa ao expor seu desejo, houve a recusa dentro de casa.
“Minha mãe não deixou, pois ela disse que estávamos nos mudando do interior para a cidade. Passou um tempo e uma vez ela lembrou do meu desejo e eu disse que queria, então depois fui”, prisa.
Zonta fez a formação na Igreja Católica em São Paulo com os padres e irmãos da Sociedade do Divino Salvador (Salvatorianos). Logo depois voltou para sua cidade natal, onde foi ordenado presbítero e exerceu seu ministério.
O novo bispo coadjutor da Diocese de Criciúma deixou Videira e serviu em estados como São Paulo e Maranhão, até exercer o cargo de provincial, sendo responsável por todos os religiosos do Brasil. “Em uma dessa, fui representar os Salvatorianos do Brasil na Espanha e lá me elegeram conselheiro geral. Nós temos nossa sede em Roma e estamos presentes em 45 países”, reforça.
Após seis anos na capital italiana, Zonta foi eleito e reeleito superior geral dos Salvatorianos, totalizando 18 anos no país. No ano passado retornou ao Brasil para um ano sabático em sua cidade de origem com familiares. “Foi nesse tempo que recebi a convocação do Papa Leão XIV para assumir esse serviço na igreja de Criciúma e aqui estou”, comenta.
Qual a função do bispo coadjutor?
Em entrevista coletiva nesta semana, o monsenhor explicou que o bispo coadjutor será o substituto imediato após a saída do atual diocesano. De acordo com Zonta, a chegada da função do religioso à Diocese de Criciúma era um desejo de Dom Jacinto Inácio Flach. “Dom Jacinto sempre insistiu que queria que quando deixasse sua função de bispo diocesano não tivesse um tempo vacante, como normalmente acontece. Ele queria que já tivesse aquele que viesse sucedê-lo para que fosse aprendendo um pouco da vida da diocese”, pontuou.
Chegando o momento da celebração
A poucas horas da ordenação episcopal, Zonta não esconde o sentimento por vivenciar um dos momentos mais marcantes em sua trajetória dentro da Igreja Católica. A celebração contará com lideranças religiosas de diversas regiões e fiéis, que estarão presentes em Içara.
“O coração está batendo forte, porque é uma coisa de grande relevância na minha vida e na minha história. Ser bispo tem um peso simbólico para a igreja local e é uma grande responsabilidade. Estou sereno e confio na graça de Deus”, finaliza.



