Saúde

Oftalmologistas alertam aumento da miopia na infância; saiba causas e recomendações

Saúde ocular

Uso de telas e pouca exposição à luz natural estão entre os fatores

Por Ariadne Marcelino17 de setembro de 2026 4 min de leitura
Ilustrativa | Magnific

Um alerta sobre o avanço da miopia entre crianças e adolescentes ganhou reforço neste mês com o lançamento da cartilha Mais Tempo ao Ar Livre, Mais Saúde para os Olhos. Elaborado pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) e pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o material chamou atenção para fatores relacionados ao uso excessivo de telas e a baixa exposição à luz natural.

Em Criciúma, a rotina nos consultórios reflete a preocupação dos especialistas. Segundo a oftalmologista Patricia Ney (RQE 27777), nos últimos anos foi percebido uma presença cada vez maior de crianças e adolescentes com miopia, com destaque para casos em idades mais precoces.

“Ainda não temos no Brasil um sistema que registre o número de novos casos de miopia. Mas sabemos que ela está se tornando um problema de saúde ocular cada vez mais relevante. Quanto mais cedo ela aparece, maior tende a ser o período de progressão durante a infância e adolescência causando miopias cada vez mais altas”, explicou em entrevista ao Portal Engeplus.

O perfil dos pacientes também tem mudado. De acordo com a especialista, além de pacientes mais jovens apresentando alterações na visão, cresceu o número de crianças com queixas relacionadas ao cansaço visual, cefaleia e desconforto ocular, derivadas do uso intenso de telas. Ainda, segundo Patricia, em razão da maior atenção dos pais, pediatras vem indicando a avaliação especializada desde os 6 meses.

“Isso é positivo porque, quando identificamos uma alteração visual precocemente, conseguimos não apenas proporcionar uma boa visão para a criança, mas também acompanhar o crescimento ocular. Hoje, não enxergamos mais a saúde visual infantil apenas como uma questão de ‘usar ou não usar óculos’. A visão está diretamente relacionada ao desenvolvimento neurológico, motor, cognitivo e à aprendizagem da criança”, ressaltou.

Cuidado com as telas

Patricia explicou que a relação da progressão da miopia com o uso de telas se trata, na verdade, da combinação de uma série de fatores. Entre eles, muita proximidade com os aparelhos, períodos longos de concentração visual sem pausas e menos tempo ao ar livre.

Foto: Ilustrativa | Unsplash

“Quando a criança passa grande parte do dia dentro de casa, especialmente envolvida em atividades de perto, ela fica exposta a menos luz natural e passa menos tempo olhando para objetos distantes. Ainda não se conhece completamente todos os mecanismos envolvidos nessa relação, mas uma das hipóteses é que a luz intensa do ambiente externo estimule mecanismos retinianos, incluindo a liberação de dopamina, que parecem participar da regulação do crescimento do olho”, explicou.

Além da progressão da miopia, o uso excessivo de telas, segundo a Patricia, provoca outros problemas na saúde ocular, principalmente infantil. A especialista observou um destaque para ressecamento ocular, ardência, vermelhidão, dor de cabeça, fadiga visual e descompensação ou piora de estrabismo.

Recomendação do uso de telas segundo a SBOP:

Menores de 2 anos: nenhum tempo de tela;

Entre 2 e 5 anos: até uma hora por dia;

Entre 5 e 10 anos: até duas horas por dia;

Para crianças maiores e adolescentes, Patricia destacou que o essencial é os pais evitarem que as telas ocupem o espaço de sono, atividades físicas, convivência familiar, estudos e brincadeiras. Para crianças e adolescentes entre 11 e 18 anos, a especialista orienta as famílias a buscarem até duas horas de atividade ao ar livre, em prevenção a miopia.

“Tempo ao ar livre não significa necessariamente praticar um esporte. Pode ser brincar no quintal, caminhar, andar de bicicleta, ir à praça, brincar na praia ou simplesmente permanecer em um ambiente externo iluminado”, orientou.

Sinais de alerta aos pais

Para Patricia, identificar e tratar de forma precoce alterações visuais é importante para o desenvolvimento infantil como um todo. De acordo com ela, alguns sinais podem servir de alerta aos pais, mesmo quando a criança não apresenta queixa. Entre eles:

  • Aproximar muito o rosto de livros, telas ou objetos;

  • Apertar ou franzir os olhos para enxergar de longe;

  • Sentar muito perto da televisão;

  • Reclamar de dor de cabeça ou cansaço visual;

  • Perder o interesse ou apresentar dificuldade durante atividades que exigem visão de longe;

  • Ter dificuldade na escola para copiar o que está escrito no quadro;

  • Piscar excessivamente ou esfregar os olhos.

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