Órgãos intensificam ações para cessar queima de pirita no bairro Colonial; casa de família foi destruída
Criciúma
Expectativa é de que intervenções alcancem uma solução definitiva para o caso

A Defesa Civil de Criciúma, a Agência Nacional de Mineração (ANM) e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) intensificaram as ações para cessar a queima de rejeito de pirita no bairro Colonial, em Criciúma. Para que novos trabalhos fossem executados, a casa que estava no terreno onde o problema iniciou foi demolida e a família foi morar de aluguel na casa de um parente, com uso do aluguel social ofertado pela Prefeitura de Criciúma.
Após a derrubada do imóvel, os órgãos envolvidos na ocorrência iniciaram as intervenções, que contam ainda com apoio de técnicos da Satc. “A intervenção que está sendo feita é abrir trincheiras na parte extrema direita do terreno onde começou o problema e também dentro do lote do vizinho dos fundos. A intenção é compactar argila nesta trincheira para isolar a área que está em combustão, evitando que ela se espalhe. A partir disso, vamos remover o material que está quente para solucionar o problema”, explicou o geólogo da ANM, Walter Lins Arcoverde.
Além das trincheiras, as equipes estão despejando água dentro dos cortes nos terrenos. O líquido resfria a área do buraco e auxilia na retirada de oxigênio, contribuindo também para apagar as brasas. “Após reuniões ao longo da semana, definimos uma estratégia em comum, que é o que estamos fazendo agora. Estamos trabalhando para eliminar o problema por completo e fazer com que a comunidade pare de sofrer com esta situação. A gente recebe muito chamado por conta da queima deste rejeito que estava acontecendo aqui”, acrescentou Fred Gomes, diretor da Defesa Civil de Criciúma.
Resfriamento do rejeito
O Portal Engeplus acompanhou a ação das equipes no bairro Colonial na tarde desta sexta-feira, dia 26. De acordo com dados acompanhados pelos técnicos na área chamada de “ponto quente”, que é onde a combustão está ocorrendo, o rejeito de pirita ultrapassou a temperatura de 200ºC.
“Os limites do terreno foram escavados e estão frios. Agora a parte da frente do lote, que fica bem na esquina, está sendo removida. A temperatura do rejeito chega a 250ºC. Este material está sendo depositado em uma área aqui perto e depois vai ser levado para resfriar na usina de asfalto do município. Depois ele vai para uma célula de rejeito, que são depósitos de rejeitos das carboníferas da região”, explicou Marlon Hoelzel, coordenador executivo do CPRM.
Município promete construção de nova casa
Como assistência para a família que morava na casa que foi demolida, a Prefeitura de Criciúma, por meio da Secretaria de Assistência Social, ofertou o aluguel social. O programa municipal permite que a prefeitura pague um aluguel de até R$ 500 para os moradores pelo período de seis meses, podendo ser estendido até um ano.
“Para que o problema fosse solucionado, a Defesa Civil e os demais técnicos envolvidos acharam necessário fazer a demolição da casa. A Secretaria de Assistência Social atuou e conseguiu auxiliar os moradores, que agora estão vivendo de aluguel na casa de parentes próximo ao local onde eles moravam”, explicou Bruno Ferreira, secretário de Assistência Social de Criciúma.

Ferreira garante que uma nova casa será construída para a família. “Temos um caminho pela Defesa Civil de Santa Catarina ou utilizando próprios recursos do município. Ainda estamos estudando qual a melhor possibilidade e os trâmites legais para que isso possa ser executado. O objetivo no momento foi remover a família do local pensando na saúde deles e também na saúde coletiva dos moradores do bairro que estavam convivendo com o mau cheiro”, acrescentou.
Entenda o caso
Há quase três meses moradores da rua Lúcia Jerônimo Adão e de ruas próximas, no bairro Colonial, em Criciúma, estão convivendo com um forte odor de enxofre que propaga do subsolo. A Defesa Civil do município já havia diagnosticado que o cheiro era causado pela queima de rejeito de carvão. Intervenções foram feitas no local e o problema foi amenizado, mas seguia sem solução definitiva.
O caso começou após moradores da casa onde o problema iniciou atearem fogo em madeiras no terreno. As chamas intensas se espalharam para subsolo, atingindo o material de mineração e provocando a fumaça. Depois de duas semanas sentindo o mau cheiro, os vizinhos acionaram a Defesa Civil no dia 1º de julho. Em contato com mineradoras que exploraram a área, a equipe da Defesa Civil foi orientada a abafar o material com areia barrenta com a finalidade de cessar a queima. O procedimento foi realizado por mais de duas vezes.
Em uma terceira intervenção, além de espalhar a areia barrenta e argila, a equipe do município efetuou a retirada de materiais que poderiam impulsionar a queima da pirita, com pneus. Apesar de diminuir o cheiro, o problema prosseguiu até as ações definidas nesta semana que podem encerrar a combustão.
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