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“Pais devem se conscientizar e não mandar os filhos para as escolas”, afirma presidente sobre greve na Afasc

Criciúma

Paralisação inicia nesta sexta-feira, dia 8

Por Rafaela Custódio06 de maio de 2026 4 min de leitura
Patrick Stüpp/Portal Engeplus

Sem acordo entre o Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino da Região Sul de Santa Catarina (Steeresc) e a direção da Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc), a greve dos professores iniciará nesta sexta-feira, dia 8. Mais de 650 profissionais aderiram à paralisação, o que representa cerca de 70% da categoria.

“Nós conversamos, argumentamos toda a nossa posição e, infelizmente, não temos nada de positivo. Sem dúvida, a categoria continua no movimento pelo que aconteceu hoje. A paralisação de sexta-feira está mantida, e os pais devem se conscientizar e não mandar seus filhos para as escolas, porque vai parar, a não ser que aconteça algo diferente entre hoje e quinta-feira”, afirmou o presidente do Steeresc, José Argente Filho.

Conforme o presidente, os professores irão paralisar as atividades e permanecer nas escolas. “Nós vamos continuar abertos à negociação. Estamos em busca do piso, mas, pelo que vimos aqui, eles vão querer uma saída judicial, não uma saída negociada. Chegamos a propor um parcelamento do piso e, mesmo assim, o pedido foi rejeitado. Então, o movimento continua”, frisou.

O advogado do sindicato, Rodrigo Custódio de Medeiros, ressaltou que o diálogo é fundamental. “A categoria, em nenhum momento, quer a greve. O que busca é o cumprimento do piso. A Afasc sustenta suas convicções jurídicas de que o piso não seria aplicável, enquanto a categoria entende que sim. Isso porque a Afasc exerce a função do município na gestão da educação infantil, sendo financiada pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), além de utilizar estrutura física do próprio município. Por isso, entende-se pela aplicação do piso nacional a esses trabalhadores”, destacou.

Medeiros lembrou que, em 2011, uma ação do Ministério Público do Trabalho já determinou que a Afasc pagasse o piso nacional do magistério. “Essa situação ainda está sub judice e segue em discussão no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Não é uma decisão transitada em julgado, mas também não é uma surpresa para a Afasc que esse tema pudesse voltar à pauta. A categoria exige o piso e entende que não haverá mudança. Trata-se de uma greve por tempo indeterminado, salvo se houver decisão judicial que determine sua suspensão”, explicou.

Novo foco

Segundo o advogado, o sindicato apresentou alternativas que também não foram aceitas. “Cumprimos todos os prazos e tentamos dar tempo para que a Afasc apresentasse propostas melhores, o que não ocorreu. Em um esforço de negociação, o sindicato chegou a sugerir uma alternativa não aprovada em assembleia: aplicar um valor inferior ao piso neste ano e, em março de 2027, implementar o piso integral. Ou seja, assumir o compromisso de adequação na próxima data-base”, detalhou.

Para Medeiros, a proposta poderia nem ser aprovada pela categoria, mas foi apresentada como tentativa de diálogo. “É uma alternativa, e nem essa foi aceita. Isso demonstra certa intransigência por parte da Afasc e mantém a categoria mobilizada para a paralisação”, pontuou.

O advogado também destacou a importância do apoio da sociedade. “Há um apoio significativo da sociedade e uma mobilização forte da categoria. Isso demonstra fortalecimento. Caso não haja decisão judicial que impeça a greve e esperamos que o Judiciário tenha sensibilidade para reconhecer a legitimidade do movimento, o ideal é que as crianças permaneçam em casa na sexta-feira, já que os professores não estarão nas creches”, finalizou.

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