Educação

Pais protestam contra fim do turno integral em turmas da Escola Filho do Mineiro, em Criciúma

Rede municipal

Secretária explicou razão da mudança e ofereceu alternativa

Por Jessica Rosso Crepaldi10 de outubro de 2025 3 min de leitura
Jessica Rosso Crepaldi/Portal Engeplus

Um protesto foi realizado em frente à Escola Municipal Filho do Mineiro, no bairro Metropol, em Criciúma, no fim da tarde desta sexta-feira, dia 10. Pais de alunos do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental manifestaram preocupação após receberem, há poucos dias, um comunicado sobre a abertura das matrículas, informando que as turmas 101,102 e 201 deixarão de ter turno integral e passarão a funcionar somente no período vespertino.

Foto: Jessica Rosso Crepaldi/Portal Engeplus

Com cartazes, os pais demonstraram indignação com a decisão do Poder Público. “Prometeram o turno integral há três anos para nós, e agora dizem que não há mais recurso. Os pais estão apavorados. Quem trabalha fora não tem com quem deixar uma criança de 6,7 ou 8 anos sozinha em casa”, disse Patrick de Sousa Alves, pai de um aluno do 2º ano.

Segundo ele, alguns pais já buscaram esclarecimentos com a direção da escola e na Secretaria de Educação de Criciúma. “Eles disseram que virão alunos para o 6º ano de outras escolas e que, por isso, vão tirar o tempo integral. Mas tem criança de 7, 8 anos que não sabe pegar ônibus. Eu acho que entre 12,13 e 14 anos conseguem. Deveriam dar preferência para as crianças pequenas que dependem do integral”, reforçou.

Outro pai, Ronaldo Nascimento de Oliveira, também criticou a medida e disse que o município está transferindo o problema para as famílias. “Isso não é justo com as crianças e nem com os adultos. Eles tinham que achar uma solução, e o que eles fizeram foi prejudicar as crianças tirando o integral. Agora dizem que há 20 vagas em outras escolas, mas estamos falando de 80 famílias envolvidas", desabafou.

A secretária de Educação, Geovana Benedet Zanette, explicou que a mudança está sendo tomada em razão do aumento previsto no número de matrículas para o 6º ano do Ensino Fundamental em 2026. “É uma escola muito procurada, e nesse caso ela precisa atender os estudantes que são daquela região”, justificou.

Segundo Geovana, a situação será reavaliada durante o período de matrículas. “Vamos esperar para confirmar se essas matrículas serão feitas, mas essa é a expectativa que nós temos. Fizemos uma revisão na rede antes da abertura das matrículas e percebemos que será necessário utilizar essas salas de aula no turno matutino”, pontuou. A Educação Infantil continuará com o período integral. Atualmente a unidade atende 900 alunos.

Foto: Jessica Rosso Crepaldi/Portal Engeplus

A secretária acrescentou que conversou com pais e mães do 2º ano do Ensino Fundamental, que foram recebidos por ela na prefeitura nessa quinta-feira, dia 9.

Geovana explicou que sugeriu como alternativa o encaminhamento dos alunos para outras escolas que mantém o tempo integral. “Ficamos com os contatos desses pais para, de repente oferecer uma vaga em outra unidade próxima ao local de trabalho da mãe ou do pai”, disse.

No mesmo bairro, o governo do estado analisa o pedido da Escola de Ensino Fundamental Silva Alvarenga para implantar o período integral, mas ainda não previsão para uma decisão.

Para Alves, mesmo que essa medida se concretize, o número de vagas não seria suficiente para atender todas as famílias. Ele ressaltou que há outras questões envolvidas, como o caso de crianças autistas já adaptadas à rotina e aos profissionais da Escola Municipal Filho do Mineiro.

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