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Paralisações em rodovias durarão no mínimo 72 horas, prometem manifestantes

Reflexos das eleições

Em Içara, grupo pede posicionamento das Forças Armadas sobre atual momento do país

Por Lucas Renan Domingos31 de outubro de 2022 4 min de leitura
Lucas Renan Domingos/Portal Engeplus

Passadas quase 24 horas de manifestações, os bloqueios em rodovias no Estado de Santa Catarina vão ganhando mais força. De acordo com o último relatório divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) nesta segunda-feira, dia 31, somente nas rodovias federais eram 43 pontos de interdições, sendo sete delas no Sul do Estado. Já nas rodovias estaduais catarinenses, segundo a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), foram registrados 21 pontos de obstruções.

Um dos primeiros bloqueios a ser formado foi na região do bairro Vila Nova, em Içara, onde os manifestantes se concentram desde horas depois do resultado das eleições desse domingo, dia 30, que apontou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o vencedor. Os manifestantes não concordam com a eleição do candidato petista e dizem ver seus “princípios ameaçados”.

“Não questionamos as eleições, mas queremos que os nossos princípios básicos sejam respeitados. Nós esperávamos que o Brasil tivesse evitado [o resultado das eleições], que os poderes constituídos tivessem dado tranquilidade ao povo e não aconteceu”, disse o advogado e empresário Jader Bitencourt, um dos manifestantes que está mobilizado em Içara. “Temos o princípio da família, somos contra a liberação de drogas, contra o desarmamento das polícias, contra o aborto, contra a redução de crimes de maior potencial. Tudo isso vem contra o que pregamos”, enumerou.

Em conversa com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os manifestantes prometeram manter os bloqueios por no mínimo 72 horas. Durante este tempo eles esperam um posicionamento das Forças Armadas do Brasil. “A manifestação busca que o comandante das Forças Armadas venha a ver a situação que está se montando no país e isso leva a uma desorganização social, levando a um conflito social, algo que não queremos. Nós pedimos que as Forças Armadas restaurem a ordem social. Como isso vai acontecer? Não somos nós aqui que vamos definir quais medidas caberão às Forçar Armadas.”, acrescentou o empresário.

Para continuar com a manifestação, o grupo vem se organizando e arrecadando mantimentos, que chegam a todo momento por meio de doações. “Todos são voluntários. Não temos uma formação de liderança. É uma ação coletiva. É um sentimento de frustração que o Brasil chegou. Esta frustração veio sendo gerada com o tempo, mediante decisões contrárias à vontade do povo. Tudo o que temos aqui é doação. Todas as pessoas que vêm trazem doações. Hoje fizemos atendimentos para as pessoas paradas e todos receberam águas, alimentos”, disse Bitencourt.

Ainda durante as negociações com a PRF, os manifestantes aceitaram liberar a passagem de veículos de emergência e de órgãos de segurança pública. “Liberamos também ônibus que já estavam em viagem e acabaram esbarrando em um ponto de bloqueio. Agora aqueles ônibus que saíram de suas bases depois do início das manifestações, não vamos deixar passar, porque daí eles já tinham consciência das intervenções. A nossa orientação é de que esses veículos nem saiam das suas cidades”, afirmou.

Na concentração no bairro Vila Nova, a quantidade de veículos de passeio também é considerada pequena em relação a outros locais de interdições. “A nossa área aqui tem muita via marginal, então o pessoal conseguiu sair. Em outros pontos do Estado já é diferente”, afirmou Bitencourt.

Decisões de Alexandre de Moraes

Os manifestantes também contestam as decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes. “Tivemos meios de comunicação cerceados, além de pessoas que tem um ativismo político como o empresário Luciano Hang. Todo este cerceamento da liberdade de expressão nos preocupa. Isso automaticamente impacta no rumo do Brasil”, avaliou.

Portal Engeplus · Jader Alves Bitencourt - Manifestante concentrado na BR-101

As contas de Luciano Hang nas redes sociais foram bloqueadas em decisão de Moraes no mês de agosto, devido a sua presença em um grupo de WhatsApp com outros empresários bolsonaristas que são acusados de defender golpe militar caso Lula vencesse a eleição.

Já no caso que envolveu a Jovem Pan, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, em três decisões, que o grupo Rádio Panamericana SA conceda direito de resposta à coligação Brasil da Esperança, da qual Lula fez parte, por declarações de comentaristas da emissora, que, de acordo com o TSE, seriam inverídicas, distorcidas ou ofensivas.

“Temos uma união de pessoas que tem um objetivo, que é reestabelecer a ordem social do país, a ordem de respeito das instituições. Hoje temos no Brasil uma desorganização e a população chegou ao seu limite. Nós pensamos que a situação foi se estruturando e o povo foi acreditando que o Brasil seria respeitado. E a forma que aconteceu nestas eleições, nós não nos sentimos representados”, completou.

No Sul de Santa Catarina, na BR-101, os bloqueios acontecem em Içara, Tubarão, Maracajá, São João do Sul, Imbituba e Araranguá. No Estado há intervenções ainda nas rodovias federais BR-116, BR-153, BR-280, BR-282 e BR-470.

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