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Pesca com auxílio de botos no Sul de SC é reconhecida como patrimônio imaterial do Brasil

Valor histórico

Reconhecimento foi feito pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural

Por Patrick Stüpp11 de março de 2026 2 min de leitura
Thaisa de Freitas Noronha/Divulgação

A pesca artesanal com auxilio dos botos passou a ser reconhecida como um patrimônio cultural imaterial no Sul do Brasil, abrangendo os municipios de Laguna (SC), Araranguá (SC), Imbé (RS) e Tramandaí (RS). O reconhecimento aconteceu na tarde desta quarta-feira, dia 11, durante uma reunião do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural, que aprovou a prática no Livro de Saberes do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Segundo o arquiteto do escritório técnico do Iphan de Laguna, Vladimir Fernando Stello, os conselheiros votaram por unanimidade para o reconhecimento da prática como patrimônio imaterial no Sul do Brasil. Com base no dossiê de registro, a prática atende aos critédios para o registro, conforme o Decreto nº 3.551/2000, pois é condierado um saber-fazer tradicional com profunda referência à identidade, à ação e à memória dos grupos envolvidos.

“Oficialmente, o processo iniciou em 2017, quando a Pastoral da Pesca de Laguna fez um pedido para o Iphan. Mas antes disso houveram ações por parte da Fundação Lagunense de Cultural e ações do próprio Iphan, junto aos pescadores de Laguna. Além do reconhecimento como patrimônio cultural imaterial, a pesca com auxílio de botos também foi indicada para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como patrimônio da Humanidade. Porém, este processo é mais longo”, frisou.

Reconhecimento foi feito por parte do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural. (Foto: Ana Francisca dos Santos David)

Valor histórico e cultural

Em Laguna, por exemplo, além do seu valor histórico e cultural, a prática representa um simbolo de identidade, transmitido de geração em geração entre pescadores artesanais. O reconhecimento nacional reforça a importância da preservação desse saber tradicional e amplia a visibilidade do municipio como referência mundial nesse interação entre seres humanos e a vida marinha.

Na prática, os botos ajudam os pescadores a localizar e cercar os cardumes de tainha. Ao identificarem o momento ideal, os animais realizam movimentos característicos que indicam aos pescadores a hora certa de lançar a tarrafa. A ação se destaca como uma forma de interação singular entre humanos e botos, com poucos paralelos no mundo. Além deste reconhecimento, Laguna também já havia sido reconhecida como a Capital Nacional do Boto-Pescador em 2016.

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