Pesca da tainha: colônias do Sul de SC lamentam ampliação da cota apenas para o Litoral Norte
Discussão
Em Balneário Rincão, foram capturadas mais de 35 toneladas do peixe nesta temporada

Os pescadores do Sul de Santa Catarina lamentaram a decisão do governo federal de ampliar a cota da safra da tainha na modalidade de arrasto de praia apenas para o Litoral Norte do estado. Em 2026, a atividade registrou uma supersafra, com toneladas do peixe capturadas no litoral catarinense, fazendo com que a cota estabelecida atingisse cerca de 90% do limite quase dois meses antes do previsto.
“Estive na reunião realizada nessa terça-feira, dia 9, e realmente essa foi a conquista que conseguimos para Santa Catarina, ou seja, para os pescadores do Litoral Norte. Discordamos muito dessa decisão, porque temos colônias no Sul do estado que não conseguiram pescar. Entendemos que o ideal seria a ampliação para todo o estado”, destacou a coordenadora das colônias de pesca do Sul de Santa Catarina, Maria Aparecida Leandro, que também é presidente da Colônia Z-33, de Balneário Rincão.
Maria ressaltou que os pescadores continuarão realizando a pesca de rede, modalidade diferente do arrasto de praia. “Na nossa região são nove canoas que realizam a pesca de arrasto, então essa decisão afeta diretamente esses profissionais. Porém, continuaremos trabalhando com outras modalidades de pesca”, pontuou.
Conforme Maria, em Balneário Rincão foram capturadas cerca de 35 toneladas de tainha nesta temporada. “Não podemos retirar tudo o que está no mar, sabemos disso, até porque precisamos pescar no próximo ano também. É necessário haver controle, e entendemos essa necessidade. No entanto, acreditamos que poderíamos ter recebido um tratamento melhor em relação à cota”, frisou.
Pedido
Maria também defendeu a ampliação da compra de pescado pelos governos federal e estadual. “É necessário que o peixe capturado pelos pescadores seja adquirido pelo estado e pelo governo federal, inclusive para a merenda escolar. Temos muitos pescadores em Santa Catarina e precisamos de mercados para comercializar essa produção”, finalizou.
Entenda o debate
A ampliação da cota da safra da tainha na modalidade arrasto de praia foi anunciada pelo governo federal após uma reunião emergencial na tarde dessa terça-feira, dia 9, que debateu o encerramento da pesca da tainha na modalidade arrasto de praia. No último domingo, o MPA determinou o fim da safra após a cota de captura atingir 90%, conforme Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51, publicada em 27 de fevereiro de 2026.
A notícia não agradou pescadores de Santa Catarina, que comemoravam uma supersafra com redes cheias e ficaram descontentes com o encerramento antecipado. Desde 2018, o governo federal passou a adotar cotas para a captura de tainhas, mas apenas em 2025 passou a valer para a modalidade de arrasto de praia. No ano passado, o limite estabelecido foi de 1,1 mil toneladas, que foi revisado para 1,3 mil em 2026.
Na atual safra, conforme dados do PesqBrasil, ferramenta que monitora a quantidade de peixes capturados durante a safra, foram retiradas do mar 1,2 mil toneladas de tainha, o que corresponde a 91% da quota. A Secretaria de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina (SAQ) avalia adotar medidas judiciais para reverter a situação e retomar a pesca.
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