Pescadores da colônia de Balneário Rincão capturam 76 toneladas de tainha durante a safra
Saldo positivo
Quantidade é superior ao número de peixes pescados em 2024

Chega ao fim nesta quinta-feira, dia 31, o período considerado mais favorável para a pesca da tainha. A Colônia Z-33, em Balneário Rincão, a safra está encerrando com números positivos, com a captura de 76 toneladas do peixe. O número é superior ao do ano passado. A colônia é formada por pescadores de Balneário Rincão, Araranguá e Jaguaruna que praticam duas modalidades de pesca artesanal: o arrasto de praia e o uso da rede de 100 metros.
“O que é reportado para nós é o arrasto de praia, que deu as 76 toneladas. A pesca com a rede de 100 metros nós não conseguimos mensurar porque não há regulamentação de cota, então ocorre a venda direta, mas acreditamos que tenham capturado 20 toneladas, o que daria quase 100 toneladas de tainha na nossa colônia”, calculou Maria Aparecida da Silva, a Cida, presidente da Colônia Z-33.
A pesca artesanal de arrasto de praia ainda está liberada até o dia 31 de dezembro, mas os pescadores consideram a safra encerrada, já que ao fim do mês de julho ocorre redução no aparecimento dos cardumes. “Agora ninguém pesca mais. As grandes canoas já estão colocando redes para outros peixes, como enchova. O que vier de tainha é algum peixo ou outro, mas até o fim do ano não deve dar mais 500 quilos”, explicou.
Cota
Em 2025, o Governo de Santa Catarina e o Governo Federal travaram uma queda de braço para a revisão da cota de captura da tainha. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e o Ministério Meio Ambiente (MMA) estabeleceram que a modalidade a pesca artesanal do peixe não poderia ultrapassar 1,1 mil toneladas.
A medida foi válida apenas para Santa Catarina, o que levou a Secretaria de Aquicultura e Pesca do Estado criticar a decisão do governo federal. O secretário Tiago Bolan, chegou a classificar a cota como “autoritária e discriminatória”. No meio da safra, a sobra de outras modalidades de pesca que não atingiram a cota foram repassadas para a pesca artesanal, que ficou com um limite de 1,2 mil toneladas.

“O Estado de Santa Catarina acionou a Justiça Federal contra a cota imposta à pesca por arrasto de praia. Como resultado da audiência de conciliação realizada no âmbito judicial, 150 toneladas originalmente destinadas à modalidade de cerco/traineira foram remanejadas para o arrasto de praia. Essa medida impediu o fechamento desta pescaria na semana passada, algo que os pescadores artesanais nunca imaginaram”, analisou Frigo.
Já a presidente da Colônia Z-33 avaliou o acordo com o Governo Federal como positivo e que os pescadores já estudam a cota para a próxima safra. “Nós tivemos uma conversa com o governo federal e entendemos que a safra, no fim das contas, foi boa e nem passamos a cota. As colônias de pescadores são representadas no Grupo de Trabalho da Tainha, que discute as cotas, e já estamos estudando como será no ano que vem”, acrescentou Cida.
Pesca no estado
Em toda a costa de Santa Catarina foram pescadas 2,5 mil toneladas de tainha. O grande destaque da temporada foi o emalhe anilhado, foram 1.123,43 toneladas capturadas por 121 embarcações autorizadas em Santa Catarina.
A pesca por cerco/traineira, com 10 embarcações industriais autorizadas, alcançou 412,95 toneladas capturadas. Já a modalidade de emalhe liso, praticada por embarcações do Sudeste, registrou apenas 17% da cota total, com 304,78 toneladas de tainha capturadas, um desempenho bastante inferior ao das demais modalidades.
Na modalidade de arrasto de praia, praticada por 415 embarcações artesanais catarinenses, foram registradas 1.041,94 toneladas, o que corresponde a 83,35% da cota permitida. De acordo com a legislação, a pesca por arrasto deve ser encerrada ao atingir 90% da cota coletiva, o que deverá ocorrer nas próximas semanas. Na avaliação da Secretaria de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina, o limite causará prejuízo aos pescadores.



