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Pessoas com deficiência visual buscam espaço para atendimento especializado em Criciúma

Inclusão social

Iniciativa é uma das reivindicações do comitê das pessoas cegas e de baixa visão

Por Patrick Stüpp06 de maio de 2026 3 min de leitura
Freepik/Ilustrativa/Divulgação

Um local para suporte e atendimento de deficientes visuais está sendo reivindicado em Criciúma. Desde a sua criação no dia 4 de outubro de 2025, a busca por uma estrutura adequada e especializada para fornecer este tipo de serviço é uma das principais missões do comitê das pessoas cegas e de baixa visão, que conta com sete integrantes no município.

Francis Guimarães, pedagogo e representante do comitê, informou que a ideia era que o município contasse, por exemplo, com um espaço semelhante à Associação Catarinense para Integração do Cego, sediada em Florianópolis. Devido ao seu histórico e estrutura, Guimarães frisou que a entidade é a que mais poderia realizar este atendimento especializado. Contudo, é enviável para pessoas com deficiência visual de Criciúma estarem se deslocando para a capital do estado.

“Sabemos que, hoje, o município de Criciúma e as cidades ao redor não contam com uma instituição que realize e ofereça o atendimento especializado completo para o processo de habilitação e reabilitação das pessoas com deficiência visual, uma vez que se faz necessário a especificidade das necessidades do individuo”, afirmou.

Francis Guimarães, pedagogo e representante do comitê. (Fotos: Jessica Rosso Crepaldi/Arquivo/Portal Engeplus)

Embora sem contar com um local para atendimento especializado no momento, o pedagogo ressaltou que, no passado, o município contava com os serviços da Associação dos Deficientes Visuais do Sul (Adivisul), localizada no bairro Próspera. Porém, os atendimentos foram deixando de serem executados e, há mais de um ano, a sede encontra-se fechada e sem uma diretoria em exercício de suas funções.

“Apesar de ser, juridicamente, um patrimônio privado, sua história traz algo maior. O espaço foi construído com apoio da comunidade, por meio de doações e parcerias com instituições públicas e privadas. Trata-se de um patrimônio de valor social coletivo, que simboliza a inclusão e a dignidade das pessoas cegas e com baixa visão de Criciúma e região”, pontuou.

Busca por alternativas

Como o local encontra-se fechado e sem uma diretoria ativa, Guimarães ressaltou que o foco do comitê é voltar a utilizar o espaço para ser proporcionado atendimentos especializados em Criciúma. Para buscar soluções, o comitê procurou a Câmara de Vereadores, Prefeitura de Criciúma, Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, Secretaria de Saúde e, principalmente, o Ministério Público (MP).

“O Ministério Público é o principal, já que pode ajudar a traçar estratégias que possibilitem a reabertura dessa instituição. Uma entidade fechada representa algo muito sério e preocupante, pois deixa um coletivo de pessoas em situação de vulnerabilidade sem um local especializado que as represente. Isso ajudaria na inclusão social, por meio do acesso à habilitação e reabilitação, à educação e ao mercado de trabalho”, explicou.

Comitê busca local de atendimento especicalizado de pessoas cegas em Criciúma.

Atualmente, o comitê das pessoas cegas e de baixa visão, por meio de um representante jurídico, está acompanhando o andamento do processo junto ao Ministério Público. No momento, os integrantes aguardam o agendamento para reunião com o promotor para melhor alinhamento da solução da ausência de atendimento especializado no município.

"Além dos moradores de Criciúma, o foco é que todas as pessoas cegas e com baixa visão do Sul de Santa Catarina sejam atendidas neste local que está sendo reivindicado. Queremos proporcionar os serviços necessários para garantir sua autonomia, inclusão social e sentimento de pertencimento”, enfatizou o representante do comitê, em entrevista ao Portal Engeplus.

O que diz o Ministério Público?

A reportagem também entrou em contato com Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Em nota, o orgão informou ao Portal Engeplus que está acompanhando a situação, por meio da 5° Promotoria de Justiça de Criciúma, e vem realizando reuniões com os grupos envolvidos e, mais recentemente, fez a solicitação de informações ao município.

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