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Pausa nas corridas

Piloto de Criciúma, Rafaela Ferreira fala sobre raízes, apoio local e reta final da temporada na F1 Academy

Atleta é a única brasileira no grid da categoria e retorna às pistas nesta semana

Por Ariadne Marcelino

4 min de leitura

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Foto: RedBull F1 Academy | Divulgação

Depois de passar boa parte do ano viajando entre aeroportos e circuitos pelo mundo, ‘casa’ é o local que a piloto criciumense Rafaela Ferreira tem a oportunidade de desacelerar. De recesso da F1 Academy, categoria exclusivamente feminina do automobilismo gerida pela Fórmula 1, a jovem de 21 anos aproveitou destes dias de descanso para estar junto da família e amigos, manter a preparação física e refrescar a mente antes do retorno às pistas.

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Natural de Criciúma, mas içarense de coração, para a automobilista ter raízes no interior é um conforto na metade da temporada, sendo as características particulares que diferem das grandes cidades uma de suas coisas favoritas. Em entrevista ao Portal Engeplus, Rafaela contou que esse contato com a rotina e com as pessoas próximas funciona como uma espécie de pausa mental em meio ao alto rendimento.

“A gente vive num ritmo muito frenético, entre um país e o outro, e o corpo já nem entende mais em que fuso horário está. Por isso é muito importante ter essa pausa. São 15 dias em que realmente não respondemos nada relacionado ao trabalho. É muito bom poder parar, voltar para a ‘vida normal’ e fazer coisas que não consigo na rotina de competição. Estar em casa também ajuda muito na temporada em si. Dá um refresco para a mente, um gás a mais”, contou.

Apoio regional

O apoio local também tem sua importância. Rafaela descreveu momentos em que foi reconhecida nos aeroportos da região ou em locais públicos. Segundo a piloto, a demonstração da torcida vindo de casa é ainda mais especial. Ao mesmo tempo, ela acredita que ainda existe espaço para ampliar o apoio aos atletas da região por parte das empresas locais. Para Rafaela, investir em quem está próximo também pode contribuir para dar visibilidade a talentos que estão construindo trajetórias no esporte.

“Seria legal ter mais apoio de empresas da nossa região aos atletas da região. Não buscar um atleta de outro lugar, mas olhar para quem já temos aqui. Como meu ciclo é formado por muitos atletas, percebo que tem bastante gente. E é muito legal reconhecer e acompanhar essas pessoas da cidade”, destacou.

Preparação física e mental

Mesmo durante os períodos de pausa, a preparação para as competições continua. Rafaela explicou que um dos principais trabalhos antes de cada etapa é feito nos simuladores. Além disso, sua participação na F4 Italiana ajuda a diminuir os períodos longe dos carros. Em uma temporada com intervalos que podem chegar a cinco semanas, disputar outro campeonato permite que a piloto mantenha o ritmo de competição.

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A preparação também passa pelo aspecto psicológico. A atleta compartilhou que faz acompanhamento focado principalmente em performance e ao automobilismo, e considera esse trabalho fundamental para sua evolução dentro e fora das pistas. “A pessoa que a gente é fora da pista é a mesma de dentro da pista. São os mesmos comportamentos. O acompanhamento ajuda a perceber algumas coisas que às vezes não notamos e a agir de uma maneira diferente”, contou.

Ela contou ainda sobre a adaptação e evolução desde o ano passado, seu primeiro ano competindo na categoria. Segundo Rafaela, parte desse trabalho de acompanhamento no esporte de alto rendimento está justamente nos pequenos detalhes. “Às vezes, eu converso comigo mesma dentro do capacete: ‘não, vamos focar, vamos trabalhar agora para focar’. São pequenas coisas. No esporte de alto rendimento, é isso: você está sempre tentando superar o seu limite, encontrar aqueles detalhezinhos para ficar um milésimo mais rápida”, explicou.

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Futuro

Com a temporada da F1 Academy chegando à reta final, Rafaela disse estar aberta às possibilidades da carreira. O foco não é exclusivamente estar na categoria em 2027, mas também avaliar novos caminhos dentro do automobilismo.

Antes de pensar no próximo ano, a piloto segue focada nas três etapas que ainda restam na temporada de 2026. O retorno acontece nesta semana, no circuito de Zandvoort, na Holanda, entre os dias 21 e 23 de agosto. Competindo pela Visa Cash App Racing Bulls (VCARB), Rafaela chega para a etapa com uma punição de cinco posições no grid da primeira corrida, consequência do abandono em Silverstone. O episódio, segundo ela, serviu também como motivação para buscar mais regularidade na reta final.

“Eu comecei o ano com uma palavra: constância. Minha meta era fazer pontos em todos os finais de semana. Depois do abandono em Silverstone, preciso manter isso nas outras etapas e voltar para essa ideia de ser constante no restante do campeonato. Acho que esse período de férias também é importante para isso. Parar, olhar o que deu certo e o que deu errado e o que precisamos mudar”, finalizou.

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