PM atende mais de 50 casos de surto psicótico na região em setembro
Saúde mental
Entenda quais as causas ocasionam esse estado e como lidar com a situação

O número de ocorrências envolvendo surtos psicóticos na região de Criciúma tem chamado a atenção. Contabilizando apenas quatro municípios, a Polícia Militar (PM) foi acionada por mais de 50 vezes no mês de setembro em chamados com pessoas nesse estado mental.
De acordo com informações repassadas pela PM à reportagem, no último mês foram atendidas 49 ocorrências em Criciúma, três em Nova Veneza, três em Siderópolis e duas em Forquilhinha, de pessoas em estado de surto psicótico. Ainda em setembro, uma mulher de 42 anos foi presa após ser suspeita de matar a própria filha de dois anos em Balneário Gaivota.
Na ocasião, o delegado Jorge Ghiraldo, coordenador da Central de Plantão Policial (CPP), foi quem ouviu a mulher. Ele não conseguiu apontar a motivação do crime e acredita que a mãe da menina tenha passado por um surto psicótico. “Ela não tem histórico de droga ou álcool. A única coisa que o filho recorda é que lá no passado distante parece que ela teve um diagnóstico de depressão, mas nunca procurou ajuda. Mas na rede de hospital não tem atendimento médico, não usava remédio controlado nada. Era uma pessoa aparentemente normal”, frisou o delegado em entrevista ao Portal Engeplus.
O que é um surto psicótico?
A psicóloga Ester Rosa explicou à reportagem que existem alguns tipos de surto psicótico, mas que num geral, pode se caracterizar como um estado mental, que geralmente é temporário, onde a pessoa acaba perdendo o contato com a realidade. “Essa pessoa através do surto apresenta alguns sintomas, sendo os mais comuns as alucinações ou delírios, vendo e ouvindo coisas que não existem por exemplo, além de pensamento e comportamento desorganizados. É importante falar que o surto psicótico pode causar um momento de grande ansiedade e agressividade, o que muitas vezes leva a pessoa acometida a ter dificuldade em sua comunicação e também a perda de noção de tempo e espaço de onde ela se encontra no momento”, destacou.
De acordo com a profissional, o surto pode ter várias causas, mas as mais comuns geralmente podem ser por a pessoa já possuir algum tipo de transtorno mental, como a esquizofrenia e transtorno bipolar; pode ser também pelo uso e/ou abstinência de substâncias psicoativas, como drogas e álcool; e ainda por fatores psicossociais e ambientais, como por exemplo um estresse extremo, algum trauma, privação de sono ou até mesmo uma reação a certos tipos de medicamentos.
Quais as reações e como identificar?
Ester afirmou que para identificar uma pessoa em surto psicótico é necessário ficar atento aos sinais de comportamento, procurar identificar se a pessoa está tendo alucinações ou delírios, se a sua comunicação está confusa e enrolada e se está tendo um isolamento social ou uma desconfiança. “É muito importante que caso seja observado uma pessoa em surto, nesses estados mentais mais aflorados, que se mantenha a calma, não confrontá-la para que o estado não piore, ter um cuidado dobrado para afastar objetos perigosos, para evitar que a pessoa se machuque, além tentar levá-la para um local que seja mais tranquilo”, frisou a psicóloga.
O que fazer durante e após o surto?
O secretário de Saúde de Criciúma, Deivid de Freitas, reforçou ao Portal Engeplus que nos casos ocorridos no município, a pessoa que presenciar ou estiver em contato com alguém em surto psicótico deve acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), para encaminhar o paciente à uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Caso haja necessidade após o atendimento, ele será encaminhado para um leito psiquiátrico, via Sistema Nacional de Regulação (Sisreg).
O responsável pela pasta ressalta ainda que o paciente de Criciúma pode receber atendimento nos quatro Centro de Atendimentos Psicossociais (CAPs) da cidade.



