Investigação
Polícia Civil aponta queda acidental na morte de mulher que caiu do sétimo andar em Criciúma
Reconstituição e exames periciais indicaram que a vítima tentou passar pela janela

Por Rafaela Custódio - rafaela.sousa@engeplus.com.br
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A Polícia Civil deve finalizar nos próximos dias a investigação da morte de Daisy Ferreira Maieski, de 34 anos, ocorrida na madrugada do dia 3 de outubro. Ela caiu do sétimo andar de um prédio localizado na rua Tenente Ari Rauen, no bairro Centro, em Criciúma.
Um homem que estava com a vítima no momento da queda foi preso pela Polícia Militar (PM), passou por audiência de custódia e teve a prisão mantida pela Justiça. Entretanto, na última sexta-feira, dia 9, ele foi solto.
Segundo o delegado Márcio Campos Neves, responsável pela investigação, as provas periciais e a reconstituição dos fatos indicaram que a queda da vítima foi acidental. “Durante a reconstituição, a perícia esteve junto. Já tinha feito o exame pericial do local para coletar os vestígios do crime, porque a cena fala. Ela fala para um profissional chamado perito, que traduz tudo aquilo que está vendo”, detalhou.
Conforme o delegado, os exames periciais e a reconstituição indicaram que o homem não provocou a queda da vítima. “Seria impossível, ou quase impossível, que esse rapaz tivesse jogado ela da janela do banheiro. Os vestígios mostram que eles ficaram trancados dentro do banheiro, o trinco da porta caiu e tudo isso foi constatado pelos vestígios. Eles tentaram abrir a porta com a escova de dente e com a ponta do recipiente de sabonete líquido, para tentar sair. Ela, então, teria resolvido passar pela janela do banheiro, porque a janela do banheiro do outro apartamento é muito próxima”, explicou.
Neves destacou que os dois ficaram presos no banheiro sem celulares. “Acharam que iam ficar ali muito tempo, não conseguiram abrir a porta e ela resolveu subir pela janela. Então, não tinha como ele pegar ela, colocar lá e empurrar”, afirmou.
O delegado também ressaltou que, durante a investigação, não foram identificados motivos para que o homem matasse a vítima. “A gente analisou toda a circunstância. A reconstituição serviu para descartar ou, pelo menos, levantar uma dúvida muito grande sobre a possibilidade de ele ter jogado ela. Pelos vestígios que ficaram, foi demonstrado que ela se pendurou pela janela do banheiro. Há marcas do outro lado, no vão da mão, onde ela escorregou, e nos pés, que ela tentou apoiar em uma pilastra que tem embaixo. Ela acabou escorregando, não conseguiu passar para o apartamento ao lado e caiu. Então, em princípio, a gente acredita que foi uma tragédia. Um acidente”, frisou.
Eles pediram ajuda?
Conforme o delegado, a vítima e o homem pediram ajuda enquanto estavam presos no banheiro, mas não foram ouvidos pelos vizinhos.
“Eles gritaram do banheiro, estavam sob efeito de álcool e maconha. Chamaram pelos vizinhos, mas não pedindo socorro como se tivesse algo ruim acontecendo”, comentou.
Como ele saiu do banheiro?
O delegado explicou que, após a queda da mulher, os vizinhos ouviram o barulho e acionaram a Polícia Militar (PM), que esteve no local e abriu a porta do banheiro.
“O delegado plantonista entendeu que, diante da dúvida naquele momento, para verificar se ele tinha cometido um crime ou não, resolveu prendê-lo. Por isso ele estava preso. A gente concluiu, a partir dessa reconstituição, que, se não foi possível descartar completamente, pelo menos surgiu uma dúvida muito grande de que esse rapaz não cometeu um crime”, pontuou.
Segundo Neves, as características da janela e a ausência de vestígios de luta também foram consideradas na investigação. “Diante das circunstâncias, não tinha motivo nenhum, ainda mais por aquela janela do banheiro, que é pequena. Ele não teria como colocá-la à força ali sem quebrar o vaso sanitário e sem deixar vestígios de luta, por exemplo, ou até pedidos de socorro por parte dela, se ela estivesse realmente sendo atacada. Então, basicamente, foi por isso”, finalizou.



