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População sofre com obra travada enquanto aguarda impasse entre empresa e Estado

SC-108

Pavimentação de rodovia entre Praia Grande e Jacinto Machado se arrasta e gera protesto

Por Lucas Renan Domingos22 de outubro de 2025 3 min de leitura

Nos dias de sol, a poeira. Durante a chuva, o lodo. São esses os cenários que os motoristas e moradores vizinhos da SC-108 precisam enfrentar entre Jacinto Machado e Praia Grande, no Sul de Santa Catarina. Desde 2022 a rodovia estadual vem sendo pavimentada, mas a conclusão das obras está longe do fim.

A empresa Setep, responsável pela execução do asfaltamento, diminuiu o ritmo de trabalho e pede reequilíbrio financeiro. A Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade de Santa Catarina (SIE) tenta o rompimento do contrato.

No meio do impasse está a população, que aguarda a definição enquanto enfrenta dificuldades para percorrer o trecho de 32 quilômetros a ser pavimentado. Na última segunda-feira, um protesto foi realizado pela comunidade visando alertar sobre os prejuízos causados pelo atraso da obra. O movimento reuniu mais de 200 pessoas.

“Conversamos com um representante da empresa que nos disse que eles estão trabalhando com deficit. Eles se recusam a entregar a obra e estão solicitando um novo aditivo. O governo estadual já encaminhou duas notificações para a empresa para que ela se manifeste se irá ou não continuar no trecho”, disse Antenor Gomes, o Loro, vereador licenciado, atual secretário de Esportes de Praia Grande e um dos organizadores da manifestação.

Empresa segue no trecho, mas executa trabalhos em ritmo lento - Foto: Divulgação

A condição de trafegabilidade da rodovia, que já é ruim, tende a piorar nos próximos meses. É que a estrada é uma via importante para o escoamento de produção agrícola. A agricultura do arroz que tem forte representatividade na região está em fase de produção com a colheita prevista para os primeiros meses de 2026.

“Com esse impasse entre o estado e a empresa, a prefeitura não pode fazer nenhuma medida paliativa. O estado também não pode mexer na rodovia, porque ela está licitada. Se a empresa não aceitar sair da obra, como fica a manutenção? A situação é complicada. Frequentemente temos caminhões e ônibus escolares atolados, motociclistas caindo e a população da nossa cidade está precisando agendar horário nas oficinas para arrumar os carros por conta de danos causados pela rodovia”, acrescentou Gomes.

Estado aguarda posição da empresa

O coordenador regional da SIE, Altemir Ghisi, o Miro, acompanhou a manifestação. Ele informou que a secretaria fez uma nova notificação administrativa contra a empresa. “Até a próxima semana, eles precisam nos dar um parecer se vão ficar ou sair da obra. Se sair, a empresa terá multa e sanções. Não é um problema político, é um problema jurídico”, salientou.

Miro garante não haver atrasos nos pagamentos e o Estado aguarda a quebra de contrato para poder fazer manutenção no trecho. “Este abandono da obra é um grande problema para nós, além da perda de todo o material que já foi utilizado. Queremos uma solução para dar uma resposta para a comunidade”, completou.

Desde 2022, o trecho vem recebendo melhorias, mas, no mesmo ano, os serviços foram paralisados por conta de problemas com a compra de seixo rolado, tipo de pedra utilizada para a construção da base da pavimentação. Somente no ano seguinte, a pavimentação foi retomada e ainda segue longe de ser concluída.

Os trabalhos contemplam ainda drenagem, sinalização e construção de pontes. A obra faz parte do programa Estrada Boa, do Governo de Santa Catarina. O investimento estimado é de R$ 70 milhões.

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