Prefeito de Criciúma critica modelo de atendimento do Centro Pop: 'não faz mais sentido'
Questionamentos
Perfil das pessoas em situação de rua tem passado por mudanças, aponta Vagner Espindola

O prefeito de Criciúma, Vagner Espindola, criticou o atual modelo de atendimento às pessoas em situação de rua no município. Para ele, o Centro Pop “não faz mais sentido” diante das mudanças no perfil desta população. Segundo o chefe do Poder Executivo, a falta de recursos do governo federal para internações involuntárias tem dificultado ações mais efetivas por parte dos municípios.
Espindola destacou que o Centro Pop, apesar de ser um local importante, já não consegue corresponder à realidade atual. “O sistema único de assistência social precisa ser revisitado. O Centro Pop, por exemplo, é uma grande ferramenta, mas não faz mais sentido. A pessoa fica a noite toda alimentando seu vício, vai pro Centro Pop, toma um belo café, faz uma higiene e vai para a rua de novo se drogar”, afirmou, em entrevista ao jornalista João Paulo Messer, da Rádio Eldorado.
O prefeito também comentou sobre a ausência de apoio financeiro. “O governo federal não passa um centavo para o cofinanciamento das internações. Não há outra saída para as pessoas com vício sem ser desintoxicação, a gente sabe disso. Se apresentam políticas públicas de acolhimento e empregabilidade, mas cadê o recurso?”, questionou.
Sobre o Centro Pop
O Centro Pop é um Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, organizado pela Secretaria de Assistência Social e Habitação. O local oferece apoio, alimentação, higiene (banho/lavanderia) e atendimento técnico (psicólogos/assistentes sociais) durante o dia.
Criciúma Recomeça
O município começou, neste mês, o projeto Criciúma Recomeça, para reinserir pessoas em situação de rua no mercado de trabalho. As atividades se concentraram em diversas regiões da cidade, especialmente no bairro Pinheirinho.
“É um projeto que construímos desde 2025 a partir de um experimento social. Permanecemos praticamente 24 horas nas ruas e percebemos que não há outra forma de ajudar quem está nessa situação, principalmente devido ao alto grau de dependência química, senão acolher, realizar o trabalho de desintoxicação e apresentar uma rotina de trabalho”, pontuou o prefeito, anteriormente.



